21.1.16

Capítulo Trinta e Nove




Joe parou o BMW na frente da casa, e, sem nem desligar o motor, saiu em disparada para a porta da frente.
— Vovó!
— Joe! — Ela saiu correndo pela porta de entrada, segurando a bolsa. — Me leve para o hospital!
Ele parou. Ela parecia muitíssimo bem. Na verdade, estava com um belo macacão branco e os enormes óculos de sol pretos. Ela passou depressa por ele e abriu a porta traseira do carro.
— Oi, Demi. — Vovó bateu a porta atrás de si.
E então Joe viu a fonte do problema da avó sair pela porta da casa a passos firmes atrás dela. Petunia. Pela expressão tensa no rosto da mulher, ele percebeu que não tinha sido um encontro agradável. Petunia vestia um cardigã rosa e exageradamente grande por cima de uma blusa de gola rulê, embora fosse verão. Por baixo da saia jeans comprida, meia-calça cor da pele. Sapatos ortopédicos completavam o visual.
— Ah, Joe! — Petunia deu uma risadinha. — Senti falta do meu garotão! Ele deu um abraço apertado na tia-avó.
— Tia Petunia, você ainda parece ter 50 anos!
— Ora, seu bobo! — Ela dispensou o elogio com um gesto. O cabelo branco estava preso em um coque no topo da cabeça e os óculos grandes demais escorregavam pelo nariz. Ela os endireitou e botou as mãos nos quadris. — Ela não está morrendo, aliás.
— É, eu percebi. — Joe olhou para o carro, onde vovó acabara de passar batom e agora apertava os lábios.
— Ela só não tinha um carro. — Petunia olhou além do sobrinho-neto. — O restante do pessoal saiu para resolver coisas do casamento e eu e Nadine ficamos sozinhas.
— Preciso limpar alguma mancha de sangue? — Joe olhou para a casa. — Pratos quebrados? Alguma coisa?
— É claro que não. — Petunia fungou com desdém. — Eu estava apenas tendo uma boa conversa com Nadine sobre essa roupa escandalosa.
— Mas ela está de branco. — Joe coçou a cabeça, confuso. — Você não gosta de branco?
— Não é por causa da cor, querido — explicou a senhora. — Aquela mulher está usando sapatos de salto vermelhos com spikes. E, quando ela me mostrou os saltos, sabe o que vi?
— O quê?
— Uma tatuagem! — uivou Petunia, fazendo o sinal da cruz e agarrando o terço.
— Deve ser falsa — mentiu Joe. Vovó provavelmente fez a tatuagem só para irritá-la.
— Não é! Eu perguntei! — Petunia voltou com o terço para dentro da blusa e suspirou. — Eu só não quero que ela vá para o inferno. É pedir muito?
— Ninguém vai para o inferno por causa de uma tatuagem.
— Você tem razão. — Petunia se endireitou. — As pessoas vão para o inferno porque Deus as manda para lá, e, assim que Ele vê tatuagens, elas perdem a chance do céu! — Bufando, ela se virou e voltou para a casa.
Mulheres. Esfregando a nuca, Joe foi até o carro e bateu na janela. Vovó a baixou, mas se recusou a fazer contato visual. Apenas fez biquinho e olhou para a frente.
— Bem, estou esperando. — Ela umedeceu os lábios. — Pode começar o sermão.
— Vovó, não vou fazer um sermão — respondeu Joe, perplexo. — Mas por que é que você não tenta se dar bem com ela?
— Eu estou de branco! — Ela apontou para a casa. — E aquela mulher disse que eu era uma abominação!
— É. Você devia ter escondido a tatuagem.
— O sr. Casbon me deu esta tatuagem de presente no Havaí, no inverno passado. Não se pode recusar um presente!
— O sr. Casbon? — perguntou Demi, no banco da frente.
— Nosso vizinho — grunhiu Joe. — Melhor não perguntar.
— Ele agora usa andador — acrescentou vovó. — Está difícil se locomover, mas ele ficou muito mais criativo. — Ela deu uma risadinha. — Você vai conhece-lo no casamento.
— Estou ansiosa. — Demi abriu um sorriso.
— Está bem. — Joe abriu a porta do carro. — Deixe eu ver.
— Não tenho a menor ideia do que você está falando.
— Levante a perna da calça. Me deixe ver essa tatuagem. — Ele apontou para a perna da avó. — Se não deixar, vou anunciar no semanário da igreja.
Vovó engasgou.
— Você não faria isso!
— Ah, tenho certeza de que faria — respondeu Demi. — Pode acreditar, vocês são farinha do mesmo saco.
Vovó sorriu.
— Este é o meu garoto.
— Mostre. — Joe ergueu uma das mãos, ignorando o elogio.
— Está bem. — Vovó levantou a perna da calça. A tatuagem era bem colorida. Na verdade, seria até muito bonita se a havaiana de roupas tradicionais não estivesse quase pelada. Quando Demi engasgou, vovó respondeu: — É um clássico! Ora, um monte de gente usava durante a guerra!
 — Sendo guerra ou não, ainda assim ela está nua — retrucou Joe.
— Está sem blusa. — Vovó deu de ombros. — Não pelada. Não é como se eu tivesse feito também uma...
— E chega de papo — interrompeu Joe. — O que vamos fazer? Eu e Demi temos que planejar essa festa que você decidiu fazer de última hora, e você não quer nem chegar perto da tia Petunia.
Com um suspiro dramático, vovó saiu do carro.
— Está bem, vou me comportar. Só faça aquela... aquela mulher ficar longe de mim.
— Vovó — Joe beijou a mão dela —, sabia que chegaríamos a um acordo.
— Seu safado! — Ela piscou. — Você sempre foi meu favorito.
— Que engraçado, eu a ouvi dizer a mesma coisa ao Nick não faz muito tempo.
Ela o dispensou com um gesto.
— Sim, sim. Mas agora ele está na minha lista negra.
Demi, que estava atrás dos dois, caiu na gargalhada. Vovó olhou para ela por trás de Joe.
— Sei que parece drama, mas é verdade. Ele andou escapulindo do quarto! Muito mal, na verdade. Aquele rapazinho vai me agradecer depois da noite de casamento. Isso é, se não morrer primeiro. Mas, se isso acontecer, vai morrer puro, não um pecador.
— Acho que ele e Selena já...
— Shhh, tudo bem. Vou procurar um pouco de vodca. Vou precisar de algo bem forte se vou ter que respirar o mesmo ar que Petunia, a beata.
Demi saiu do carro e foi atrás deles.
— Vovó, são dez da manhã.
— Minha querida... — Vovó se virou e olhou para Demi. — Quando você tiver 86 anos e já tiver vivido uma vida longa e feliz, a última coisa em que prestará atenção será na hora. E daí que são dez da manhã? Em algum lugar já são cinco da tarde! — Com isso, ela foi embora a passos firmes.
— Hum — murmurou Demi.
— Que foi? — Joe passou o braço pelo dela.
— Estou tentando descobrir o que me deixa mais preocupada.
— Hã? — Joe parou de andar.
— Se é vovó ouvir Jimmy Buffett ou o fato de estar bebendo nove horas antes da Festa do Prazer.
— Talvez ela se fantasie de abajur — concordou Joe. — Mas você a ouviu, e a palavra dela é lei.
— Então ter 86 anos talvez não seja tão ruim. — Demi riu.
— Se você viver de acordo com as regras dela... — Joe apontou para a cozinha, onde vovó se servia de uma bebida — ...tenho certeza de que não será.

*****

Meninas, não vou fazer maratona por enquanto porque, por ter estado meses longe do blog, muitas leitoras não viram que voltei a postar e não quero que elas entrem com uma metralhadora de capítulos atrasados pra lerem, mas assim que as visualizações irem se normalizando, faço maratona pra vocês, ok? Obrigada por não terem me abandonado, vocês são maravilhosas!!
Beijos 

8 comentários:

  1. kkkkkkkkk morri com o escândalo da vó Nadine! kkkkkkkkkkk
    Posta mais..

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  2. Essa vovó é demais mesmo kkkkkkk adorooooo.... doida pra saber o que vai acontecer nessa festa!!! Continua....

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  3. Leitora nova!!! Eu to amando essa fanfic, espero que vc poste logo. Está sendo uma inspiração para mim. Parabéns!!!! Minha favorita é a vovó Nadine KKK Melhor pessoa

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