16.9.15

Capítulo Duplo



Capítulo 30

Jace era gato. Mais que gato. Parecia o Thor, só que de olhos verdes em vez de azuis. Demi reparou porque eram emoldurados por cílios tão longos que ela quase se perguntou se eram postiços.
Ele era incrível.
E a pele bronzeada?
Jace era como uma sobremesa, uma daquelas bem gostosas, do tipo que as mães nunca nos deixam saborear sem que antes comamos toda a comida... A sobremesa que faz todas as outras parecerem sem graça.
O tipo de homem que as mulheres observam de longe, mas com quem nunca falam.
E ele estava falando com ela.
Sentiu o estômago vibrar de animação, até que olhou para Joe. Ele parecia muito infeliz. Não queria se sentir mal por ele: afinal, ele passara a noite com vagabundas.
Mas ainda assim sentia pena.
Embora o corpo respondesse aos estímulos de Jace, o coração ansiava por Joe. E isso era um saco. Nem um pouco justo. Pela primeira vez na vida, o cara interessado nela parecia ser tão bom quanto todos diziam que era, mas seu coração tinha decidido que não estava interessado. Como podia ser?
A limusine parou na frente de Jonas Abbey. Ainda faltava uma semana para o casamento, mas não parecia.
Vans do bufê estavam estacionadas por todos os lados, com decoradores, floristas... Jesus! A casa inteira parecia cenário de uma revista de casamento.
— Demi! — Selena correu até a limusine, mas parou de súbito. — Jesus! Vocês atropelaram um gato morto, ou coisa assim?
— Um gato morto. — Jace riu, saindo do carro. — Acho que foi isso, não é mesmo, Joe?
Gemendo, Joe saiu do carro e foi direto para a casa.
— Ah, que isso! Casamentos não são assim tão ruins! — gritou Jace, rindo.
Demi estreitou os olhos. Não estava gostando de ver Jace provocando Joe. Era verdade que Joe fizera por merecer, mas isso não justificava a provocação. E aquela atitude de Jace não era atraente. Não para ela.
— Parece que Joe voltou para a vida de farra, hem? — Selena cutucou Demi e segurou-lhe o braço, sem nem reparar que o coração da amiga ficava apertado ao pensar naquilo.
Ele tinha passado alguns dias com ela.
E não tinha sido o bastante para mantê-lo longe daquele estilo de vida. O que mais uma vez provava que ele não valia a pena, porque, no fim, sempre escolhia a si mesmo, as antigas tendências e práticas, o dinheiro. Ele nunca a escolheria.
— Então... — Demi ignorou a dor no peito. — Jace é muito legal.
— Ele é senador — cantarolou Selena. — E se formou dois anos mais cedo, na faculdade. É membro da MENSA, aquela sociedade que reúne os maiores QIs do mundo, e sei, por fontes seguras, que ele adota cachorros doentes e abandonados.
— Estão falando de Jace? — Nick apareceu e deu um beijo na testa da noiva. — Ele é uma espécie de pornô para mulheres. Sério, se não gostar dele, não há mais esperanças para você.
Demi não teve chance de responder. Vovó chegou carregando um enorme microfone, coberto de pequenos cristais cor-de-rosa.
— Hã, o que é isso? — Demi apontou para o objeto ofuscante.
— Meu microfone, para o casamento. — Vovó ergueu a caixa do aparelho para mostrá-la a Demi. — Faz minha voz parecer a da Mariah Carey.
— Só se a Mariah Carey fosse um esquilo morrendo — completou Selena, aos murmúrios.
— Eu ouvi isso — retrucou vovó.
— Você não vai cantar no casamento. — Selena abriu um sorriso. — Então, não faz muita diferença.
Com muito cuidado, vovó guardou o microfone na caixa — que mais parecia uma caixinha de maquiagens para crianças — e a apertou com segurança sob o braço.
— O que você e Nick estão planejando é coisa de criança. Eu namorei um Kennedy. — Ela ajeitou a blusa. — Mas já chega. Agora, saiam! Preciso planejar umas coisas. Vamos comemorar hoje à noite!
— Do que vovó está falando? — perguntou Demi, tentando entender por que Nick e Selena estavam olhando para a avó como se tentassem decifrar o enigma que era sua vida e o modo como ela se comportava.
— Temos o jantar e uns coquetéis para os convidados — comentou Selena, ainda observando vovó. — Não gosto do tom de voz dela. O que ela sabe que não sabemos?
Nick coçou a cabeça.
— Ela só está tentando fazer com que fiquemos preocupados.
— Gente, estou perdida. — Demi ergueu uma das mãos. — Vocês estão em guerra contra vovó?
— Não — disparou Selena, olhando para Demi. — Um confronto de ideias, talvez... Mas vamos ganhar. Vovó acha que sabe o que é melhor, mas, desta vez, está errada. E provaremos isso a ela, o que quer dizer que ela não vai cantar no casamento.

Capítulo 31

Demi, Nick e Selena ficaram olhando vovó caminhar até o meio da sala e pegar um apito vermelho.
— Quem foi que deu um apito a ela? — Nick murmurou um palavrão e resmungou alguma coisa sobre como qualquer ventinho o deixava excitado na hora em que vovó apitou, produzindo um barulho alto o suficiente para provocar surdez.
— Olá! — gritou vovó. E apitou novamente. Demi tentou esconder o sorriso ao ouvir uma enxurrada de palavrões vinda de algum lugar da casa. Parecia que Joe também não era fã do apito. — Gostaria da atenção de todos. — Vovó pegou uma prancheta. — Fui nomeada...
— Você se ofereceu — corrigiu Nick. — E foi bem insistente, devo acrescentar.
Vovó ignorou o comentário e continuou a falar:
— Como dizia, fui nomeada — ela olhou irritada para Nick — para ser a organizadora do casamento durante a semana em que todos ficarão aqui em Jonas Abbey. Como a maioria dos convidados está hospedada na casa, decidimos designar quartos.
Enquanto vovó falava sem parar, Demi observava, na expectativa do retorno de Joe. Mas o que ela estava fazendo? Bem, só estava preocupada com a possibilidade de ele morrer engasgado no próprio vômito, ou bater de cara na porta, ou algo do tipo.
— E, como temos apenas uma suíte e Nick alegremente acatou um voto de castidade...
Nick fez mímica, como se desse um tiro na própria cabeça.
— ... a suíte será compartilhada. — Ela abriu um sorriso. — Agora, a programação está milimetricamente cronometrada, portanto, tentem não chegar atrasados a nenhuma atividade. Temos muito que fazer. Espero que todos voltem a seus quartos para trocar de roupa antes do coquetel.
Vovó começou a entregar folhas plastificadas. Era a programação.
— A programação não poderá ser alterada, então, por favor, nem peçam que isso aconteça. Se têm alguma pergunta... — Nick ergueu uma das mãos — ... que não tenha relação com a organização dos quartos... — Nick baixou a mão — ... sintam-se livres para fazê-la.
Demi pegou uma programação com vovó e gemeu. Jace surgiu atrás dela.
— Ei, acha que Joe toparia trocar de colega de quarto?
Se Joe tivesse dito alguma coisa do tipo, Demi teria revirado os olhos e dado risada, porque era algo bem característico dele. Mas ouvir aquilo de Jace foi como um balde de água fria. Na verdade, até fez com que ela se sentisse um pouco incomodada. Como um cara flertando com ela poderia incomodá-la?
Ela conseguiu dar uma risadinha e sacudiu o papel.
— As regras de vovó são definitivas, pode acreditar. Já aprendi minha lição.
— E aí, Demi, como foi com os testes de fertilidade? — perguntou vovó, atrás dela.
Jace arregalou os olhos e Demi ficou boquiaberta. Ma que droga! O que ela deveria dizer? Lutou para encontrar as palavras.
— Ha-ha, vovó, muito engraçada! Está falando dos testes que comprou para Selena e Nick, não é?
— Claro! — Vovó deu uma piscadela.
Demi sentiu o rosto esquentar e se virou para Jace.
— Ela está brincando. Juro.
— Gosto de crianças. — Ele sorriu e a olhou de cima a baixo. — Ou melhor, acho que qualquer um que tivesse filhos com você seria um homem de sorte.
E ele tinha ido longe demais.
— Está certo. — Ela engasgou. — Vou para o quarto, preciso me ajeitar.
— Posso levar sua bagagem. — Jace fez menção de pegar a mala, mas ela afastou a mão dele.
— Não. — Demi deu uma risadinha. — Pode deixar, eu me viro. Vejo você em uma hora.
Quando se distanciou, Jace exibia um sorriso convencido.
Demi subiu as escadas o mais depressa que pôde. Estavam com a suíte. Ela e Joe. Devia ser alguma piada sem graça. A única suíte? A que devia ser de Selena e
Nick, mas que ela iria ocupar com Joe? Joe, o galinha que fugia sempre que alguém falava em compromisso e que ficava bêbado de propósito, só para provar à sociedade que era o que todos acreditavam que fosse: um conquistador barato.
Resmungando, ela abriu a porta e largou a mala no chão.
Tinha algo de errado com ela. Era como se toda a emoção reprimida durante a infância, todo o passado, o drama com os pais e, finalmente, a pressão do fracasso iminente na carreira finalmente a tivessem atingido.
Flores idiotas.
Eram elas as culpadas.
Rosas amarelas, como as que Joe comprara para ela, alguns dias antes. Maldito seja!
Ela pegou uma rosa do vaso e sentiu o perfume. Por um breve momento, Demi se permitiu sonhar que aquela era a suíte de sua lua de mel. Que Joe era seu marido, que tinha comprado flores para ela e que não vomitara havia cerca de uma hora.
Quando abriu os olhos, a realidade a atingiu bem na cara. Na forma de uma única cama king-size.
Tão perto, mas tão longe. Assim era a história da sua vida. Tinha chegado tão perto de se formar com louvor, mas fora Dallas quem conseguira ser a oradora da turma.
E quando agendou a primeira entrevista de emprego, os pais a levaram para jantar apenas para informá-la de que estavam desapontados com o fato de ser em uma emissora de notícias.
Quando Dallas conseguiu um emprego, ganhou um carro.
Era como se tudo o que ela tivesse querido na vida estivesse sempre perto o bastante para ser desejado, mas nunca perto o suficiente para ser conquistado.
Ela era como uma droga de um hamster em sua rodinha.
Ela odiava hamsters.
Bufando, sentou-se na cama e olhou para a porta que se abria e revelava um Joe com aparência decrépita.
Pelo menos havia alguém que estava tendo um dia pior que o dela.
— Como vai, princesa? — perguntou Demi.
— Odeio a minha vida. — Gemendo, ele tropeçou até a cama e caiu de cara no colchão. — E a melhor parte do meu dia... vá em frente, pode perguntar.
Demi deitou com a cabeça apoiada no cotovelo, para vê-lo melhor.
— Quase ter sido preso?
Joe sacudiu a cabeça.
— Hum, conhecer o senador mais novo da história do Oregon?
Ele lhe mostrou o dedo do meio.
Rindo, Demi tentou outra vez.
— Finalmente conseguir vomitar na privada, como um garoto crescidinho?
Ele suspirou e ergueu a cabeça, com a intenção de olhá-la nos olhos.
— Dividir o quarto com você.
O sorriso debochado desapareceu do rosto de Demi, que sentiu o coração bater com força. O quarto ficou em silêncio, exceto por sua respiração agitada. Ela parecia ter perdido a capacidade de respirar sem fazer barulho.
Finalmente conseguiu responder com um “Ah!”. Joe continuou a olhá-la nos olhos, como se Demi fosse a coisa mais preciosa de sua vida, como se realmente tivesse dito aquilo de coração — que a melhor parte de seu dia estava sendo ali no quarto com ela. Mas ele era um galinha. Talvez estivesse pensando que fosse se dar bem à noite.
— Bem, odeio dizer, camarada... — Os olhos dele se estreitaram. — Mas você não vai dormir comigo.
— Ah, sim. — Ele se levantou e enfiou as mãos nos bolsos. — Já sabia disso. Tenho certeza de que o chão e eu nos divertiremos bastante nesta noite. Com bastante agarração e respiração pesada.
— O que foi que você planejou fazer com o pobre chão? E em que universo é normal dizer esse tipo de coisa?
Joe abriu um sorriso.
— Isso cabe a mim saber e a você descobrir. Você sabe que existe a possibilidade de se juntar a mim no chão, caso ache a cama mole demais.
— Gosto de coisas moles.
Os olhos dele brilharam.
— Que pena.
— Joseph Jonas! — Demi jogou um travesseiro na cara dele.
Rindo, ele andou até o banheiro.
— Vamos logo, Demi. Precisamos nos arrumar para o coquetel. Aliás... — Ele abriu a torneira e pegou uma toalha. — Quem foi que deu um apito a vovó? Isso devia ser considerado ilegal em todo o país.
Demi não respondeu. Ficou olhando, fascinada, enquanto Joe passava a toalha pelo rosto. Pingos de água caíam na pia. Sentindo um pouco de calor, ela tirou o casaco.
Maldito Joseph Jonas, por fazer um colírio parecer sensual quando virou a cabeça para trás e o pingou nos olhos! Ele piscou uma, duas vezes, e logo as gotas escorreram por suas maçãs do rosto perfeitamente esculpidas.
— Pare de me observar, Demi — disse Joe. — Estava esquisito há uns dez minutos. Agora, estou com medo de que você tenha uma convulsão, ou algo do tipo.
Nervosa, Demi quase caiu da cama quando se levantou para andar até a mala e procurar um vestido sexy para o coquetel. Dois podiam jogar aquele jogo.
Ela não queria jogar, apenas. Queria vencer.

*****

Me desculpem por ter demorado, tentei compensar com esse capítulo duplo!
Espero que vocês gostem, love u, beijos 

8 comentários:

  1. Ta demorando muito para rolar beijo entre esses 2. QUERO BEIJOS E MUITO MAIS

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  2. Já vi que esse jantar prometee!!!! Por favor continua logooo!!!!

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  3. Oi amor, lembra de mim? Acho que não...
    Eu só queria pedir desculpas por simplesmente ter sumido por tanto tempo, eu sinto muito mesmo. Minha vida ainda está uma bagunça completa, depois que Zayn saiu da 1D as coisas não melhoraram muito por um tempo, mas agora eu estou muitoito feliz Sabe? Eu não me sinto assim a tanto tempo e as vezes é meio estranho, bom eu desapareci de todos os blogs Jemi, e eu sinto muito por isso mas não tinha cabeça para isso. Eu realmente não posso te prometer que vou continuar aqui no blog, e que viu ler os capítulos, desculpe. Um dia eu volto, bom eu queria te agradecer por tudo sabe? Você é uma pessoa incrível e eu vou sentir falta de vc e das suas fics, obrigada por tudo okay? Eu amo você é vou sentir sua falta. Até algum dia. All the love

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    1. Claro que eu me lembro, princesa <3 também senti muito sua falta. Imagina, não tem que se desculpar, eu entendo! Não tem que me agradecer por nada, você também é maravilhosa e fica muito feliz que você esteja se sentindo bem. Mas por que esse clima de despedida? Não gosto :(((( um dia você volta, mas ainda nem entendi porque "ta indo embora" :'(
      Eu não te chamo no whats porque troquei de celular e perdi seu número, mas me chama lá pra gente conversar.. Saudades, e volta logo, por favor!
      Também te amo, beijos <3

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  4. Estou amandoo
    Poderia divulgar o meu blog?
    O link é esse: http://casamento-acidental.blogspot.com.br/
    Obrigada!

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