1.9.16

Capítulo Cinquenta e Nove




Em duas horas, estaria casada. O coquetel tinha sido ótimo, mas era hora. Selena escolhera um vestido branco cintilante, decotado na frente e nas costas. Era um pouco ousado demais para o seu gosto, e foi exatamente por isso que o tinha escolhido. Ele a fazia se sentir audaciosa e linda. Além disso, ela dera um duro danado naquela série de exercícios idiotas para o casamento, então merecia usar um vestido sexy.
Tiras finas com apliques de pedras envolviam seu pescoço, descendo pelas costas até o vestido. Ele era acinturado, abrindo-se em camadas macias de chiffon a partir do quadril. Sua parte favorita era a camada de renda coberta de cristais, que ia dos seios até a barra do vestido. Ela se virou e sorriu para o espelho. A cauda de 1 metro estava acomodada ao seu redor. Selena suspirou. Estava perfeita. Se era assim, por que ainda estava nervosa? Cerrou os punhos ao lado do vestido. Então se lembrou de que aquilo o deixaria amassado, e soltou os dedos e começou a andar de um lado para outro em frente ao espelho.
— Nervosa, querida? — perguntou uma voz feminina e suave.
Selena olhou para a frente. Petunia estava parada à porta, esfregando as mãos.
— Hã, um pouquinho — admitiu Selena. Petunia assentiu.
— Consigo entender. Afinal de contas, é natural se preocupar com o que acontece na noite de núpcias.
— Ah... — Ela engoliu em seco. — Não é...
— Ah, eu sei. Conversa sobre esse assunto é algo muito frágil. E não sou a melhor pessoa para conversar sobre isso. Eu provavelmente levaria um taco de beisebol, ou algum outro objeto, para me defender, caso ele começasse a ficar atrevido demais. Dê-lhe umas belas porradas, isso vai ensinar a ele uma lição.
— Um taco? — Selena apertou os lábios.
— Acho que não será necessário e não estou nervosa com a noite de núpcias.
— Ah. — Petunia calou a noiva com um gesto, rindo. — Não tem problema estar nervosa, querida. Vou dizer uma coisa: basta chamar a tia Petunia aqui, caso meu sobrinho fique muito... — Ela corou e desviou os olhos. — Ah, você sabe. Se ele, se ele... — Ela apertou as mãos. — Se ele a machucar, só diga que não.
— Acho que Nick não me machucaria — respondeu Selena, com a voz calma, embora estivesse tentando não cair na gargalhada. — Afinal, ele é um cavalheiro.
— Ah, ele é um cavalheiro na cama. — Petunia assentiu. — E como é que você sabe disso?
Selena torceu para não parecer culpada. Petunia arregalou os olhos. Então vovó entrou.
— Petunia! Você não devia estar aqui.
— Estava dando conselhos preciosos.
— Sobre como continuar virgem, sem dúvida. — Vovó bufou. — Vá se arrumar para o casamento.
— Eu me recuso. — Petunia ergueu a cabeça. — Você já sabe a minha opinião a respeito de cores fortes.
Vovó fechou os olhos por um momento e apertou o ponto entre eles. Quando os abriu outra vez, até mesmo Selena recuou um passo.
— Você vai usar aquela droga de vestido e vai fazer isso sorrindo. Agora, vá se arrumar, ou... que Deus me perdoe!... vou drogar cada um dos seus gatos!
Petunia engasgou.
— Você não faria isso!
— Diga, como vai Garfield? Ora, ora, ele já está ficando velho! Seria uma pena se caísse das escadas ou se acidentalmente comesse algo que não devia.
Bufando e batendo os pés, Petunia saiu do quarto.
Vovó fechou a porta atrás dela e bateu as mãos como se tirasse alguma poeira. Enquanto ajeitava o blazer dourado, olhou para a noiva.
— Minha querida, qual o problema?
As lágrimas que Selena estivera segurando começaram a cair. Ela se jogou nos braços de vovó, dando soluços suaves.
— Ah, minha querida, não chore! Vovó está aqui, estou aqui com você. É perfeitamente normal estar com medo. Bem, os homens podem ser uns monstros terríveis! Fazem sons que nenhum ser humano devia fazer em público, se acham mais engraçados do que tudo e não entendem o conceito de lavar a louça...
Selena começou a soluçar.
— Ah, minha querida, mas são maravilhosos! Foram feitos para nós, sabia? Foram feitos para serem fortes no que somos fracas, capazes do que não somos, e para partilhar uma união tão mágica que você vai até se esquecer de como era antes de colocar o anel no dedo. Querida — vovó a fez se afastar e lhe entregou um lenço de papel —, o amor é mágico. E você, minha linda, está tão apaixonada! Dá para ver em cada gesto, em cada suspiro que você dá.
Selena limpou os olhos e controlou a respiração.
— Não é ele. — A noiva sacudiu a cabeça. — Nick é maravilhoso. E é incrível. Não é ele. Sou eu.
Vovó estava quieta, dando tapinhas nas mãos de Selena.
— Eu o amo tanto. Só queria que...
— O quê? — perguntou a velha senhora.
— Eu queria — os lábios de Selena tremiam — que meu pai estivesse aqui, que ele me levasse até o altar. Que minha mãe estivesse sentada na primeira fileira, sorrindo. Não sei... Só queria que eles pudessem me ver.
— Ah. — Vovó a puxou para um abraço. — Mas eles podem, querida! Eles podem vê-la! Eu não disse que o amor é mágico? Bem, imagino que o amor que você e Nick sentem um pelo outro tenha sido criado por Deus. E, se Deus está olhando por vocês, como é que isso não teria chamado a atenção dos seus pais? Tenho certeza de que eles estarão sentados na primeira fila, hoje à noite. O amor brilha bem forte. É como uma estrela no céu: é impossível não notar. É como o sol: é impossível não sentir. É como respirar, o que não se pode deixar de fazer. Ah, minha querida! O menor dos seus problemas é desejar que seus pais soubessem exatamente como será seu casamento, porque eles estão bem aqui. — Vovó tocou o peito de Selena. — E também estão aqui. — Ela pegou uma pequena caixa na bolsa e a colocou nas mãos da noiva. — Vá em frente, abra.
Tremendo, Selena abriu a caixa. Lá dentro, havia uma longa corrente de prata com um pingente oval. Com um puxão leve, o pingente se abriu e revelou uma foto dos pais de Selena.
— É a coisa velha para você usar no casamento — sussurrou vovó. — Está na minha família há muito tempo. Era da minha mãe, e da mãe dela, antes disso. — Vovó pegou o colar das mãos de Selena e abriu o fecho. — Quando ficar com medo, lembre-se de que seus pais nunca estarão longe... — Ela prendeu o colar no pescoço de Selena, e o pingente caiu bem entre seus seios. — Eles estão no seu coração.
Soluçando, Selena jogou os braços ao redor do pescoço de vovó e a abraçou com força. Nunca tinha esperado por algo assim. Era perfeito, e, de repente, parecia que um peso tinha saído de seus ombros. Ela se sentia viva outra vez, animada, pronta — e cansada de ser apenas Selena. Estava pronta para ser Selena Jonas.
— Eu te amo, vovó.
— Eu também te amo, querida. — Vovó suspirou. — Agora, vá retocar a maquiagem. Não queremos que pareça que você andou chorando.
Selena deu um beijo na bochecha da senhora e se levantou.
— Acho que um batom rosa vai ficar legal.
— Esta é a minha garota. — Vovó abriu a bolsa e pegou um batom. — Use-o com sabedoria. Me disseram que lábios cor-de-rosa também têm poderes mágicos.
— Ah, é? Quem disse?
— Bem, seu avô, que Deus o tenha, amava rosa. — Vovó se levantou e saiu do quarto.
— Que Deus a abençoe — comentou Selena, em voz alta. — E a mantenha viva para sempre... Sei que a quer, Senhor, mas não pode levá-la ainda.

*****

31.8.16

Capítulo Cinquenta e Oito




Joe tomou um gole longo de uísque com gelo e fez cara feia quando a bebida desceu queimando a garganta. Estava morrendo de calor. O terno preto com suspensórios que estava usando só piorava a situação. Pelo menos a roupa dele não era tão ruim quanto o vestido de Demi. A coitada estava com uma cara péssima quando foi se vestir com Selena e as outras garotas. Tomou outro gole e sorriu ao ver Jace vindo em sua direção.
— E aí? — Jace pediu um shot de tequila e o engoliu de uma vez, fazendo careta. — Como vão as coisas?
— Ah, vamos jogar conversa fora. — Joe riu. — Ótimas. Como vai o olho?
— Doendo muito, obrigado. — Jace balançou a cabeça.
Joe olhou por cima do ombro de Jace, procurando por Demi. Onde ela estava? Deveriam ter se encontrado havia meia hora. Pegou o braço do irmão, que passava por ali.
— Viu minha esposa?
— Não. — Nick deu de ombros e riu. — Esposa. Merda, nunca pensei que fosse ver esse dia.
Petunia passou bem na hora em que Nick soltava o palavrão, o que o fez ganhar um tapa na nuca e uma bronca. Ele passou os braços nos ombros de Petunia, desculpou-se e pediu duas doses de uísque por trás da tia-avó. Ah, parecia que os frutos da árvore de vovó tinham criado raízes fortes dos dois lados!
— Esposa? — perguntou Jace. — Você tem uma esposa? E Demi?
Joe não conseguiu esconder o sorriso.
— É uma longa história, mas vovó nos casou por acidente. — Ele fez o sinal de aspas com as mãos.
— Seu canalha sortudo.
Joe sorriu ainda mais.
— Sou mesmo. — Olhou o pátio exterior uma última vez e reparou em uma mulher de branco. Continuou examinando o pátio, então voltou para a garota. Era sua esposa. Era Demi. Ela estava usando o vestido da loja. Ele não conseguia parar de olhá-la. Seu corpo inteiro foi tomado pelo calor.
— Podemos lutar por ela? — sussurrou Jace.
— Eu já ganhei.
Joe passou por ele e foi até a noiva, ou melhor, esposa. Queria tanto beijá-la, mas aquilo estragaria a bela imagem que estava olhando. O cabelo estava puxado para trás, em um coque baixo, com mechas caindo pelo rosto. E ela estava mais alta, de algum jeito, talvez por causa dos sapatos de salto. Ele não conseguia raciocinar direito. Demi estava com um sorriso enorme, e só tinha olhos para ele. Graças a Deus!
— Não posso beijar você — disse, quando a alcançou. — Vai estragar a maquiagem.
— Tudo bem — respondeu Demi, aproximando-se, permitindo que as mãos dele deslizassem pela seda até seu quadril. — Uma vez, uma mulher muito sábia me disse que sua vida precisava ser estragada... Talvez eu possa fazer isso.
Joe poderia jurar que ouvira vovó dando uma risadinha. Mas ele beijou a esposa — a noiva — e a ergueu no ar, fazendo-a girar.
— Vocês se casaram! — gritou alguém.
Joe colocou Demi de volta no chão e se virou. Uma mulher jovem com cabelo loiro e cacheado estava correndo na direção dos dois, agitando os braços. Era Dallas, a irmã de Demi.
Demi soltou um gritinho e bateu palmas quando Dallas se jogou em seus braços e gritou:
— Não consigo acreditar! Não consigo acreditar que vocês se casaram! Quando vovó me ligou, alguns dias atrás...
— Alguns dias atrás? — perguntou Joe, olhando para a avó com cara de culpada. — Estava confiante assim, é?
Vovó apenas deu de ombros.
— O que posso dizer? Conheço meus garotos.
— Bom palpite.
Dallas deu um beliscão no braço de Demi.
— Como é que não me convidou?
— Foi... — Demi olhou para Joe, em busca de ajuda. — Bem de repente. — Ele passou o braço pelo ombro da esposa. — Muito, muito de repente. Dá até para dizer que não imaginávamos que fosse acontecer.
Àquela altura, vovó já se aproximara e passara o braço pelo de Dallas.
— Vamos lá, querida, vou arranjar uma bebida para você. Ouvi dizer que você está solteira...
Dallas jogou a cabeça para trás e deu risada.
— Estou casada com a minha carreira.
— Ora, querida, a carreira não consegue fazer o papel de um homem, pode acreditar. — Ela levou Dallas para perto do bar, onde Jace estava sentado, e ergueu dois dedos para o atendente.
— Ela vai... — Demi cruzou os braços.
— Ela só fica feliz se estiver se intrometendo na vida dos outros. — Joe puxou Demi mais para perto. — Olhe só. — Ele indicou vovó com a cabeça. A senhora acabara de deixar Dallas e Jace sozinhos com as bebidas. Com sorte, não haveria Benadryl nelas. Mas não dava para ter certeza, quando o assunto era vovó: ela tinha uma inclinação a usar medicamentos controlados.
— Você está tão bonita! — sussurrou Joe no ouvido de Demi. — Que tal a gente ir lá para cima e...
Demi se afastou dele.
— Estou sob ordens de fazer você sofrer até depois do casamento. Então, não.
— Ordens de quem?
— Vovó. — Demi deu uma risadinha. — Acho que devo uma a ela, por tudo o que fez.
Joe franziu a testa.
— Pense só em todas as surpresas que você vai encontrar mais tarde... — sussurrou Demi, contando sobre cada peça de roupa que usava, uma por uma, e encerrando a provocação com um puxão na orelha de Joe. Com os joelhos fracos, ele quase caiu.
Maldita vovó, que só ficava feliz quando outra pessoa estava sofrendo!

*****

Alguém sentiu alguma coisa entre Dallas e Jace vendo a vovó no meio? jhbsjhbhj. Quando eu comecei a ler essa serie de livros (que tem três), eu ia postar o primeiro, que conta a história da Selena e do Nick, mas, no caso, adaptaria pra Jemi, só que acabei gostando mais desse. Mas só por curiosidade, o terceiro conta a história da Dallas e do Jace, e eu to falando sobre os três livros pelo fato de: todos são sobre a vovó tentando unir os casais, e eu amo isso, além de que, no último, que eu não li, provavelmente aparece os dois casais dos primeiros, assim como nesse apareceu Nelena. No fim da fic vou passar certinho pra vocês o nome da autora e dos livros, caso queiram ler, ok? Beijos 

Capítulo Cinquenta e Sete




Bem, tomar banho nunca mais seria a mesma coisa. Na verdade, Demi estava convencida de que, em um futuro próximo, cada vez que ouvisse o som de água corrente, teria muita dificuldade em segurar um sorriso.
Aqueles lábios, aquelas mãos... Ah, que mãos divinas! Sério, Joe devia dar aulas sobre como usar aqueles dons abençoados. Sabia usar muito bem o que Deus lhe dera. Ainda sentia o corpo vibrar com a sensação que aquelas mãos provocaram em seus quadris, sua bunda, e ainda se lembrava de Joe levantando-a debaixo do chuveiro.
Sabendo que estava corando, Demi começou a se abanar enquanto seguia para o coquetel. A maquiagem ia acabar derretendo, se continuasse assim. Ela queria estar com a melhor aparência possível para aquela dança do acasalamento idiota que vovó tinha planejado. Sem mencionar que dançaria com Joe, e ela queria estar bonita para ele.
Quando dobrou o corredor que dava para a área em que aconteceria o coquetel, vovó a interceptou e a levou para o quarto.
— O que você está fazendo? — perguntou Demi enquanto vovó a puxava, levando-a para o quarto. Sem dizer nada, a senhora fechou a porta e se virou.
— Você está um horror.
— Hã, obrigada? — respondeu Demi, olhando para o vestido horroroso que Selena escolhera. Ficara sabendo que Selena na verdade não escolhera o vestido, e sim Bets, que quisera ajudar a planejar o casamento e desenhara os vestidos das madrinhas.
Por isso estava usando aquele vestido “vômito outonal”, que a fazia parecer 20 quilos mais gorda. Vovó soltou um longo suspiro e descansou a mão na bochecha enquanto examinava a roupa de Demi.
— Isso não vai servir. Afinal de contas, você não teve oportunidade de usar um vestido de noiva.
— Eu me pergunto de quem é a culpa. — Demi ergueu as sobrancelhas. Vovó deu de ombros e dispensou o comentário com um gesto. Era óbvio que ainda estava bancando a inocente.
— De qualquer forma, uma mulher sempre está preparada. — Ela se aproximou do guarda-roupa e abriu as portas. Depois de resmungar sozinha e revirar o que só podia ser descrito como uma quantidade nada sensata de casacos com estampa de oncinha, tirou do cabideiro um saco que guardava algum traje. — Isso aqui é para você.
Ao notar a hesitação de Demi, vovó fez um tsc de irritação e colocou o saco na cama. O som do zíper sendo aberto foi quase desconcertante.
— Vamos lá. — Vovó se afastou. — Dê uma olhada.
Quase com medo de ver o que era, Demi umedeceu os lábios, enfiou a mão no saco e pegou o vestido. O vestido. O vestido da loja.
— Mas o casamento não é meu! — gaguejou Demi.
— Mero detalhe. — Vovó a calou com um gesto. — Selena ficou mais do que feliz com a ideia de a melhor amiga usar algo parecido com um vestido, em vez de uma fantasia de abóbora grávida. Agora, vamos vestir logo esse negócio e fazer meu neto ter um ataque cardíaco.
— Mas...
— Não gostou? — Vovó tocou o vestido nas mãos de Demi e suspirou. — Naquele dia na loja, pensei que...
— Não. — Demi sentiu as lágrimas queimarem seus olhos. — Não é isso. É só que me sinto em um conto de fadas. — Ela também sentia como se não merecesse nada daquilo.
— Ah, meu Deus! Se Joe é o Príncipe Encantado, estamos com problemas — disse vovó. — Ele ainda tem que cumprir algumas obrigações, começando com a dança que vocês precisam apresentar. E ainda tem que me dar bisnetos também. Vocês vão me dar bisnetos, não vão?
Demi sentiu as bochechas corarem. Desviou o olhar e se balançou na ponta dos saltos.
— Estamos trabalhando nisso.
— Esta é a minha garota! — Vovó deu tapinhas na mão de Demi e apertou os pulsos dela. — E nem pensem em usar camisinha. Enfiei uma agulha em cada uma que encontrei nesta casa. Espero um bebê na primavera.
Boquiaberta, Demi a encarou e sentiu as bochechas corarem ainda mais.
— Nós, hã, veremos o que podemos fazer.
Só vovó pensaria em planejar uma coisa dessas.
— Boa menina. — Vovó se afastou. — Rezei para que você fosse fértil, sabia? — Ela sorriu para si mesma. — Agora, tire essas roupas. — Tinha tanta coisa errada naquela frase que Demi enrolou um pouco antes de se virar e permitir que vovó abrisse o zíper da imitação de vestido que estava usando.
Quando foi aberto e deslizou para o chão, Demi se afastou e fez uma careta. O vestido era branco, e ela estava de lingerie preta.
— Ah, eu quase esqueci!
Vovó ergueu uma das mãos e pegou uma sacola no chão, de onde tirou um corpete branco, com uma calcinha fio-dental e meias sete oitavos combinando. Nossa, como é que ela sabia o tamanho de Demi?
— Perguntei para Joe — explicou vovó. — Parecia que ele sabia o tamanho certinho dos seus quadris. Olhe só. E do busto... Bem, vamos dizer que apitei algumas vezes antes que ele conseguisse voltar a se concentrar. Aquele garoto se distrai muito fácil. É culpa minha. O avô dele sempre gostou muito de peitos. — Vovó estufou um pouco os seios. — De qualquer forma, vamos lá. Coloque isso, depois eu a ajudo com o vestido.
Demi hesitou. Vovó queria mesmo que ela ficasse pelada?
— Se você continuar nessa lerdeza, é possível que eu morra antes de ver meus bisnetos. Pode acreditar em mim: não há nada em você que eu não tenha visto antes. Bem, talvez não veja há um tempo, meu espelho aponta mais para baixo, hoje em dia.
Rindo, Demi pegou a lingerie que vovó lhe oferecia e a deixou na cama, então tirou a roupa. Vovó suspirou.
— O que foi? — Demi parou, pegando o corpete.
— Nada. — Vovó a dispensou com um gesto. — É só que não acredito que Joe vá assistir à cerimônia até o fim. Não permita que ele se aproveite de você cedo demais, Demi! Está me ouvindo? Deus não aprova essas coisas.
— Hã. — Demi colocou o corpete. — O quê? Pessoas casadas se aproveitando umas das outras?
— Claro que não. — Vovó a olhou com repreensão. — Deus só não gosta de ver coisas bonitas sendo desperdiçadas, e você, querida, vai estar espetacular. Então deixe que ele sofra um pouco antes. Entendido?
Demi deu um sorriso enorme.
— Entendido.
Vovó soltou um ruído. Dez minutos depois, Demi estava usando o vestido de seda mais bonito que já vira na vida. Vovó não parara na lingerie. Também tinha comprado sapatos de cristal que fizeram Demi parecer uma modelo. Abençoado fosse o coração manipulador daquela senhora! Demi virou e se examinou no espelho. Vovó estava atrás dela, radiante.
— Faça-o sofrer.

*****

Se essa não é a melhor vovó eu não sei o que é. Espero que estejam gostando, beijos!