22.2.15

Capítulo Doze




Segunda-feira, 22 de outubro de 2012
12h05

Faz quase um mês que eu e Jonas assumimos o namoro. Até o momento, não descobri nele nenhuma idiossincrasia que me irrite. Pelo contrário, seus pequenos hábitos só me deixam ainda mais encantada. Feito a maneira que ele me olha, como se estivesse me estudando, e a forma como estala a mandíbula quando está irritado, e como lambe os lábios toda vez que ri. Na verdade, isso é até um pouco sensual. E não vou nem mencionar as covinhas.
Por sorte, estou com o mesmo Jonas desde a noite em que ele entrou pela janela e se deitou em minha cama. Não vi nem sombra do Jonas temperamental e instável desde então. Estamos até ficando cada vez mais sintonizados conforme passamos mais tempo juntos, e sinto que agora sei interpretá-lo quase tão bem quanto ele me interpreta.
Com Dianna em casa todos os finais de semana, não ficamos muito a sós. Passamos a maior parte do nosso tempo juntos no colégio ou em encontros nos fins de semana. Por alguma razão, ele não se sente à vontade em ir ao meu quarto se Dianna está em casa, e sempre inventa desculpas quando sugiro que a gente vá para sua casa. Então temos assistido a muitos filmes. Também saímos algumas vezes com Nick e o novo namorado, Max.
Jonas e eu temos nos divertido muito juntos, mas não temos nos divertido tanto juntos. Estamos começando a ficar um pouco frustrados com a falta de lugares decentes para nos agarrar. O carro dele é meio pequeno, mas demos um jeito. Acho que tanto eu quanto ele estamos contando as horas para Dianna viajar no próximo fim de semana.
Eu me sento à mesa com Nick e Max, esperando que Jonas chegue com nossas bandejas. Max e Nick se conheceram numa galeria de arte local há umas duas semanas, sem nem saber que estudavam no mesmo colégio. Fico feliz por Nick porque começava a ter a impressão de que ele estava achando que só ficava de vela, quando na verdade não era nada disso. Adoro a companhia dele, mas vê-lo focar a atenção no próprio namoro facilitou muito as coisas.
— Você e Jonas já têm planos para esse sábado? — pergunta Max, quando me sento.
— Acho que não. Por quê?
— Tem uma galeria de arte no centro que vai expor um dos meus quadros na exposição de arte local. Quero vocês dois lá.
— Parece legal — diz Jonas, sentando-se ao meu lado. — Que quadro vai expor?
Max dá de ombros.
— Ainda não sei. Estou tentando decidir entre dois.
Nick revira os olhos.
— Sabe qual quadro deve escolher e não é nenhum desses dois.
Max olha para Nick.
— Moramos no leste do Texas. Duvido que um quadro gay vá ser bem recebido por aqui.
Jonas olha de um para o outro.
— E quem é que se importa com o que as pessoas daqui pensam?
O sorriso de Max desaparece, e ele ergue o garfo.
— Meus pais — responde ele.
— Seus pais sabem que você é gay? — pergunto.
Ele faz que sim com a cabeça.
— Sabem. Eles me apoiam bastante, sim, mas continuam torcendo para que nenhum amigo da igreja descubra. Não querem que as pessoas sintam pena por eles terem um filho que está condenado ao Inferno.
Balanço a cabeça.
— Se Deus é o tipo de cara que condenaria alguém ao Inferno só por amar alguém, então não quero passar a eternidade com ele.
Nick ri.
— Aposto que tem bolo de funil no Inferno.
— Que horas vai ser no sábado? — pergunta Jonas. — Nós vamos, mas Demi e eu temos planos para depois.
— Acaba às 21 horas — diz Nick.
Olho para Jonas.
— Nós temos planos? O que vamos fazer?
Ele sorri para mim, põe o braço ao redor do meu ombro e suspira no meu ouvido.
— Minha mãe vai sair no sábado à noite. Quero mostrar meu quarto para você.
Os pelos do meu braço ficam arrepiados, e, de repente, começo a imaginar coisas que são impróprias demais para o refeitório do colégio.
— Não quero nem saber o que ele disse para fazer você corar assim — diz Nick, rindo.
Jonas afasta o braço e põe a mão na minha perna. Dou uma mordida na comida e olho para Max.
— Como devemos nos vestir para a exposição? Estava pensando em usar um vestido, mas não é muito formal. — Jonas aperta minha coxa, e eu sorrio, sabendo exatamente o tipo de pensamento que acabei de colocar em sua cabeça.
Max está começando a me responder quando um garoto numa mesa atrás da nossa diz algo para Jonas que não consigo escutar. Seja lá o que ele falou, foi algo que chamou de imediato a atenção de Jonas, fazendo-o se virar por completo, ficando de frente para o garoto.
— Pode repetir o que disse? — pergunta Jonas, fulminando-o com o olhar.
Não me viro. Prefiro não ver quem é o garoto responsável por trazer o Jonas temperamental de volta em menos de dois segundos.
— Talvez precise falar mais claramente — diz o garoto, erguendo a voz. — Eu disse que se não é capaz de espancá-los até a morte, então é melhor se juntar a eles.
Jonas não reage de imediato, o que é bom. Assim tenho tempo de segurar seu rosto e prender sua atenção em mim.
— Jonas — digo, firme. — Ignore. Por favor.
— Isso aí, ignore — diz Nick. — Ele só está tentando encher seu saco. Max e eu ouvimos essas merdas o tempo inteiro, já estamos acostumados.
Jonas tensiona o queixo, inspirando devagar pelo nariz. A expressão em seus olhos se acalma aos poucos, e ele segura minha mão. Ele se vira sem olhar de novo para o rapaz.
— Estou bem — diz ele, querendo mais convencer a si próprio do que a nós. — Estou bem.
Assim que Jonas se vira para a frente, as risadas da mesa atrás de nós se espalham pelo refeitório. Os ombros de Jonas se retesam, então ponho a mão na sua perna e a aperto, desejando que continue calmo.
— Que legal — diz o cara atrás de nós. — Deixe a vagabunda convencê-lo a não defender seus novos amigos. Acho que não são tão importantes para você quanto Lessie era, caso contrário eu estaria tão ferrado quanto Jake depois da surra que você deu nele no ano passado.
Preciso de toda a minha força para não pular do banco e bater no garoto com minhas próprias mãos, então sei que o autocontrole de Jonas já se esgotou por completo. Ele começa a se virar com o rosto inexpressivo. Nunca o vi tão sério — é apavorante. Sei que algo terrível está prestes a acontecer, e não faço ideia de como evitar. Antes que ele seja capaz de pular para o outro lado da mesa e encher o cara de porrada, faço algo que choca até a mim mesma. Dou o maior tapão na cara de Jonas. Na mesma hora, ele leva a mão à bochecha e olha para mim, completamente perplexo. Mas está olhando para mim, o que é bom.
— Corredor — digo com determinação, assim que consigo sua atenção. Eu o empurro até ele sair do banco e mantenho as mãos em suas costas, em seguida continuo até que comece a andar em direção
à saída do refeitório. Quando chegamos ao corredor, ele esmurra o armário mais próximo, me fazendo soltar o ar bem alto. A força de seu punho deixa a porta bem amassada, e fico aliviada por não ter sido o garoto do refeitório o alvo dessa força.
Jonas está enfurecido. Seu rosto está vermelho, e nunca o vi tão transtornado antes. Ele começa a andar de um lado para o outro no corredor, parando para encarar as portas do refeitório. Não estou convencida de que ele não vai voltar, então decido levá-lo para ainda mais longe.
— Vamos para seu carro.
Empurro-o em direção à saída, e ele me deixa fazer isso. Andamos até o carro, e ele passa o tempo inteiro fumegando em silêncio. Ele se senta no banco do motorista, e eu, no do carona. Nós dois fechamos as portas. Não sei se ainda está prestes a voltar correndo para o colégio para terminar a briga que aquele babaca estava tentando começar, mas vou fazer tudo o que puder para mantê-lo longe até se acalmar.
O que acontece em seguida não é nada do que eu estava esperando. Ele estende o braço, me puxa para perto de si com firmeza e começa a estremecer incontrolavelmente. Seus ombros estão tremendo, e ele está me apertando, enterrando a cabeça no meu pescoço.
Está chorando.
Coloco os braços ao seu redor e deixo ele me abraçar enquanto põe para fora o que quer que estivesse reprimindo. Ele me desliza para seu colo e me aperta forte. Ajeito as pernas até ficarem do seu lado e o beijo de leve na têmpora, várias vezes. Ele quase não está fazendo barulho, e o pouco que faz é abafado pelo meu ombro. Não faço ideia do que fez com que se descontrolasse, mas nunca vi nada que partisse tanto meu coração. Continuo beijando o lado da sua cabeça, subindo e descendo as mãos pelas suas costas. Faço isso por vários minutos até ele finalmente ficar em silêncio, apesar de ainda estar me segurando forte.
— Quer conversar sobre isso? — sussurro, alisando seu cabelo.
Eu me afasto, ele encosta a cabeça no apoio do assento e olha para mim. Seus olhos estão vermelhos e repletos de mágoa, e por isso preciso beijá-los. Beijo cada pálpebra delicadamente, em seguida me afasto mais uma vez e espero ele falar.
— Eu menti — diz ele. Suas palavras perfuram meu coração, e fico morrendo de medo do que ele vai dizer. — Disse que repetiria o que fiz. Disse que daria a maior surra em Jake de novo se tivesse a oportunidade. — Ele toca minhas bochechas com as palmas das mãos e olha para mim desesperado. — Não faria isso. Ele não mereceu o que fiz com ele, Demi. E aquele garoto lá dentro? É o irmão mais novo de Jake. Ele me odeia pelo que fiz e tem todo o direito de sentir isso. Tem todo o direito de dizer qualquer merda que quiser para mim, pois eu mereço. Mereço, sim. Era essa a única razão pela qual não queria voltar para o colégio, porque sabia que mereceria ouvir qualquer coisa que alguém dissesse para mim. Mas não posso permitir que ele fale sobre você e Nick daquele jeito. Pode dizer a merda que quiser sobre mim ou Less, porque nós merecemos, mas vocês, não. — Seus olhos estão desfocados mais uma vez, e ele está sofrendo imensamente, segurando meu rosto.
— Está tudo bem, Jonas. Não precisa defender ninguém. E você não merece isso. Jake não devia ter dito aquilo sobre sua irmã no ano passado, e o irmão dele não devia ter dito o que disse hoje.
Ele balança a cabeça, discordando.
— Jake tinha razão. Sei que ele não devia ter dito aquilo, e tenho certeza de que eu não devia ter encostado nenhum dedo nele, mas ele tinha razão. O que Less fez não foi corajoso nem nobre ou valente. O que ela fez foi algo egoísta. Ela nem tentou superar. Não pensou em mim, não pensou nos meus pais. Só estava pensando em si mesma e não deu a mínima para nós. E eu a odeio por isso. Porra, a odeio por isso e estou cansado de odiá-la, Demi. Estou tão cansado de odiá-la porque isso está acabando comigo e me transformando numa pessoa que não quero ser. Ela não merece ser odiada. É minha culpa ela ter feito tudo aquilo. Devia ter ajudado, mas não ajudei. Não sabia. Eu amava aquela garota mais do que já amei qualquer pessoa e não fazia ideia do quanto ela estava mal.
Enxugo sua lágrima com o dedo e faço a única coisa em que consigo pensar, pois não tenho ideia do que dizer. Eu o beijo. Eu o beijo desesperadamente e tento acabar com o sofrimento da única maneira que sei. Nunca tive de encarar a morte de ninguém assim, então nem tento entender pelo que está passando. Ele põe as mãos no meu cabelo e me beija com tanta força que quase chego a sentir dor. Nós nos beijamos por vários minutos até a tensão ir diminuindo aos poucos.
Afasto meus lábios dos dele e olho bem em seus olhos.
— Jonas, você tem todo o direito de odiar sua irmã pelo que ela fez. Mas também tem todo o direito de amá-la apesar disso. A única coisa que não tem o direito de fazer é se culpar. Nunca vai entender por que ela fez isso, então precisa parar de se recriminar por não ter todas as respostas. Ela escolheu o que achava ser melhor, apesar de ter feito a escolha errada. Mas é isso que precisa lembrar... foi ela que escolheu. Não você. E não pode se culpar por não descobrir o que ela não lhe contou. — Eu dou um beijo em sua testa e ergo meu olhar até o dele. — Você precisa se livrar disso. Pode manter o ódio, o amor e até a amargura, mas precisa se livrar da culpa. É isso que está acabando com você.
Ele fecha os olhos e puxa minha cabeça até seu ombro, expirando trêmulo. Sinto-o balançar a cabeça, se acalmando. Ele beija meu cabelo, e ficamos abraçados em silêncio. Toda a proximidade que pensávamos ter... não se compara a esse momento. Independentemente do que acontecer conosco nessa vida, esse momento acabou de unir parte de nossas almas. É algo que sempre teremos, e, de certa maneira, é reconfortante saber disso.
Jonas olha para mim e ergue a sobrancelha.
— Afinal, por que você me deu um tapa na cara?
Eu rio e beijo a bochecha que levou o tapa. Mal dá para ver as marcas dos meus dedos agora, mas ainda estão lá.
— Desculpe-me. É que precisava tirar você dali, e não consegui pensar em mais nada que pudesse fazer.
Ele sorri.
— Funcionou. Não sei se qualquer outra pessoa teria sido capaz de dizer ou fazer alguma coisa para me afastar daquilo. Obrigado por saber exatamente como lidar comigo, pois às vezes nem eu sei direito.
Dou um beijo delicado nele.
— Acredite em mim. Não faço ideia de como lidar com você, Jonas. Vou levando uma cena de cada vez.

Sexta-feira, 26 de outubro de 2012
15h40

— Que horas acha que vai estar de volta? — pergunto.
Jonas está com os braços ao meu redor, e estamos encostados no meu carro. Não conseguimos passar muito tempo juntos desde o que aconteceu no carro dele durante o almoço na segunda-feira. Ainda bem que o cara que tentou começar a confusão não falou mais nada. Foi uma semana razoavelmente pacífica, considerando o início dramático.
— Só vamos voltar bem tarde. As festas de Halloween da empresa deles costumam durar bastante. Mas amanhã você vai me ver. Se quiser, posso buscá-la na hora do almoço e assim ficamos juntos o dia inteiro antes de irmos para a exposição.
Balanço a cabeça.
— Não posso. É aniversário de Eddie, e vamos sair para almoçar porque à noite ele trabalha. Então vá me buscar às 18 horas mesmo.
— Sim, senhora — diz ele.
Em seguida, me beija e abre a porta para eu entrar. Dou tchau enquanto ele se afasta, e pego o celular na mochila. Recebi uma mensagem de Miley, o que me deixa feliz. Não tenho recebido minhas mensagens diárias como ela havia prometido. Não achei que fosse sentir falta delas, mas agora, que só recebo uma a cada três dias, fico um pouco triste.

Agradeça a seu namorado por finalmente ter colocado mais minutos no seu telefone. Já transou com ele? Saudades.

Rio da franqueza dela e respondo:

Não, ainda não transamos. Mas já fizemos quase todo o resto, então tenho certeza de que sua paciência vai se esgotar logo. Faça de novo essa pergunta depois de amanhã, talvez a resposta seja diferente. Muitas saudades.

Aperto enviar e fico encarando o telefone. Não pensei se estou pronta ou não para ter essa primeira vez, mas acho que acabei de admitir para mim mesma que sim. Será que Jonas não me convidou para a casa dele para descobrir exatamente isso: se estou pronta?
Dou ré, e meu telefone apita. Eu o pego, e é uma mensagem de Jonas.

Não vá embora. Estou voltando para seu carro.

Paro o carro na vaga outra vez e abaixo a janela quando ele se aproxima.
— Oi — diz ele, inclinando-se para dentro de minha janela. Ele evita meu olhar e fica admirando, nervoso, o interior do carro. Odeio essa sua expressão de constrangimento, pois isso sempre significa que está prestes a dizer algo que não quero ouvir. — Hum... — Ele volta a olhar para mim, e o sol está brilhando bem atrás dele, destacando todas as suas belas feições. Os olhos estão bem claros e olham para os meus como se nunca mais quisessem olhar para outro lugar. — Você, hum... você acabou de me mandar uma mensagem que tenho certeza que era para Miley.
Ai, meu Deus, não. Na mesma hora, pego meu celular para ver se ele está falando a verdade. Infelizmente, está. Jogo o telefone no banco do passageiro e cruzo os braços em cima do volante, enterrando o rosto nos cotovelos.
— Ai, meu Deus — digo gemendo.
— Olhe pra mim, Demi — instrui ele. Ignoro-o e fico esperando que um buraco de minhoca apareça e me sugue de todas essas situações vergonhosas em que me meto. Sinto sua mão na minha bochecha, e ele puxa meu rosto para perto. Está olhando para mim com bastante sinceridade. — Se for amanhã ou no ano que vem, posso prometer que vai ser a melhor noite da minha vida. Mas garanta que vai tomar essa decisão só por sua causa e não por mais ninguém, OK? Sempre vou querer você, mas só vou me permitir ficar com você quando tiver 100% de certeza de que me quer da mesma maneira. E não diga nada agora. Vou me virar e voltar para meu carro, e podemos fingir que essa conversa nunca aconteceu. Senão acho que suas bochechas vão ficar coradas para sempre. — Ele se inclina janela adentro e me dá um beijo rápido. — Você é linda pra cacete, sabia disso? Mas precisa mesmo aprender a mexer nesse telefone. — Ele pisca para mim e vai embora. Encosto a cabeça no apoio do assento e me xingo em silêncio.
Odeio a tecnologia.
Passo o resto da noite fazendo o meu melhor para tirar a mensagem vergonhosa da cabeça. Ajudo Dianna a empacotar as coisas para o próximo mercado de pulgas e depois me deito com meu e-reader. Assim que o ligo, meu celular acende na mesinha de cabeceira.

Estou indo para sua casa agora. Sei que é tarde e que sua mãe está em casa, mas não consigo esperar até amanhã para dar mais um beijo em você. Confira se a janela está destrancada.

Quando termino de ler a mensagem, pulo da cama e tranco a porta do quarto, feliz por Dianna ter ido dormir cedo, há umas duas horas. Imediatamente, vou até o banheiro, escovo os dentes e o cabelo, desligo as luzes e volto para a cama. Já passa da meia-noite, e ele nunca entrou escondido aqui com Dianna em casa. Estou nervosa, mas é um nervosismo empolgante. Como não me sinto nem um pouco culpada por ele estar a caminho, tenho isso como prova de que vou para o Inferno. Sou a pior filha de todas.
Vários minutos depois, minha janela é levantada, e eu o escuto entrar. Fico tão entusiasmada ao vê-lo que corro até a janela, ponho os braços ao redor de seu pescoço e pulo, fazendo com que me segure enquanto o beijo. Suas mãos seguram firme minha bunda, e ele anda até a cama, onde me solta com delicadeza.
— Bem, oi para você também — diz ele, com um sorriso enorme.
Ele cambaleia um pouco, cai em cima de mim e leva os lábios até os meus. Está tentando tirar os sapatos, mas não consegue e começa a rir.
— Você está bêbado? — pergunto.
Ele pressiona os dedos nos meus lábios e tenta parar de rir, mas não consegue.
— Não. Sim.
— Muito bêbado?
Ele leva a cabeça até meu pescoço e passa a boca suavemente pela minha clavícula, fazendo uma onda de calor atravessar meu corpo.
— Bêbado o suficiente para querer fazer coisas imorais com você, mas não bêbado o bastante para fazer isso bêbado — afirma ele. — Mas bêbado o suficiente para conseguir lembrar amanhã caso fizesse mesmo isso.
Eu rio, confusa demais com a resposta, mas ao mesmo tempo excitada demais com ela.
— É por isso que veio andando até aqui? Por que bebeu?
Ele balança a cabeça.
— Andei até aqui porque queria um beijo de boa-noite e, felizmente, não achei minhas chaves. Mas queria muito um beijo seu, linda. Senti tanto sua falta hoje. — Ele me beija, e sua boca tem gosto de limonada.
— Por que está com gosto de limonada?
Ele ri.
— Tudo que tinham lá eram umas bebidas frutadas cheias de frufru. Acho que me embebedei com bebidas frutadas cheias de frufru, feitas para mulheres. É muito triste e nada atraente, eu sei.
— Bem, está com um gosto ótimo — digo, puxando sua boca para a minha, fazendo-o gemer. Ele pressiona seu corpo contra o meu, afundando mais a língua na minha boca. Assim que nossos corpos se encontram na cama, ele se afasta e se levanta, deixando-me ofegante e sozinha no colchão.
— Hora de ir — diz ele. — Já consigo ver que isso está tomando um rumo que não devia por causa da bebida. Vejo você amanhã à noite.
Pulo da cama e corro até ele, bloqueando a janela antes que ele possa ir embora. Jonas para na minha frente e cruza os braços.
— Fique aqui — peço. — Por favor. Só fique deitado na cama ao meu lado. Podemos fazer uma barreira de travesseiros, e prometo não tentar seduzir você, porque, afinal, está bêbado. Fique só uma horinha, não quero que vá embora ainda.
Na mesma hora, ele se vira e volta para a cama.
— Tudo bem — diz ele simplesmente, se jogando no colchão e tirando as cobertas de baixo dele.
Isso foi fácil.
Volto para a cama e me deito ao seu lado. Nenhum de nós faz o muro de travesseiros. Em vez disso, jogo o braço por cima de seu peito e entrelaço minhas pernas nas dele.
— Boa noite — diz ele, jogando meu cabelo para trás.
Ele beija minha testa e fecha os olhos. Acomodo a cabeça em seu peito e escuto seu coração bater. Após alguns minutos, a respiração e o coração dele se acalmam, e ele dorme. Não consigo sentir mais meu braço, então o removo com delicadeza de baixo dele e me viro em silêncio. Assim que me ajeito no travesseiro, ele desliza o braço por cima da minha cintura e apoia as pernas em cima das minhas.
— Amo você, Hope — murmura ele.
Hum...
Respire, Demi.
Apenas respire.
Não é tão difícil.
Respire.
Aperto os olhos e tento me convencer de que não acabei de ouvir o que acho que ouvi. Mas ele falou com muita clareza. E, para ser sincera, não sei o que mais parte meu coração — se é o fato de ele ter chamado o nome de outra pessoa, ou de ele ter dito amar em vez de gamar.
Tento me convencer a não rolar para longe e esmurrar seu maldito rosto. Ele está bêbado e estava meio que adormecido quando disse aquilo. Não posso presumir que significou alguma coisa para ele quando pode muito bem ter sido só um sonho. Mas... quem diabos é Hope? E por que ele a ama?

Treze anos antes

Estou suando porque está quente debaixo das cobertas, mas não quero tirá-las de cima da cabeça. Sei que se a porta se abrir, não vai fazer diferença se estou ou não embaixo das cobertas, mas me sinto mais segura assim. Ponho os dedos para fora e levanto a parte da coberta que está na frente dos meus olhos. Olho para a maçaneta como faço todas as noites.
Não gire. Não gire. Por favor, não gire.
Meu quarto é sempre muito silencioso, e odeio isso. Às vezes, ouço coisas, acho que é a maçaneta girando, e meu coração começa a bater bem forte e bem rápido. Agora, só de olhar para a maçaneta, meu coração já está batendo bem forte e bem rápido, mas não consigo desviar o olhar. Não quero que ela gire. Não quero que a porta abra, não quero.
Está tudo tão quieto.
Tão quieto.
A maçaneta não gira.
Meu coração para de bater tão rápido porque a maçaneta nunca gira.
Meus olhos ficam bem pesados, e finalmente os fecho.
Estou tão feliz por essa não ser uma das noites em que a maçaneta gira.
Está tudo tão quieto.
Tão quieto.
E, de repente, não está mais, pois a maçaneta gira.

Sábado, 27 de outubro de
2012

Algum momento no meio da madrugada
— Demi.
Estou me sentindo tão pesada. Tudo está tão pesado. Não gosto dessa sensação. Não tem nada físico em cima do meu peito, mas sinto uma pressão diferente que nunca senti antes. E uma tristeza. Uma tristeza avassaladora está me consumindo, e não faço ideia do motivo. Meus ombros tremem e ouço soluços vindo de algum lugar do quarto. Quem está chorando?
Sou eu que estou chorando?
— Demi, acorde.
Sinto seu braço ao meu redor. Ele está pressionando a bochecha na minha e está atrás de mim, apertando firme meu peito. Seguro seu pulso e afasto seu braço de cima de mim. Eu me sento na cama e dou uma olhada ao redor. Lá fora está escuro. Não entendo. Estou chorando.
Ele se senta ao meu lado e me vira para ele, passando os dedos pelos meus olhos.
— Você está me assustando, linda. — Ele está olhando para mim, preocupado.
Aperto os olhos e tento recuperar o controle, pois não faço ideia do que está acontecendo e não consigo respirar. Consigo me escutar chorando, mas não sou capaz de inspirar por causa disso.
Olho para o relógio na cabeceira, que marca três horas da manhã. As coisas começam a ganhar foco, mas... por que estou chorando?
— Por que está chorando? — pergunta Jonas. Ele me puxa para perto, e eu o deixo fazer isso. Eu me sinto segura com ele. Eu me sinto em casa quando estamos abraçados. Ele me abraça e massageia minhas costas, beijando a minha têmpora de vez em quando. Fica repetindo o tempo inteiro: — Não se preocupe. — E me abraça pelo que parece uma eternidade.
Aos poucos, o peso vai saindo do meu peito, a tristeza se dissipa, e, após um tempo, não estou mais chorando.
Porém, estou assustada, pois é a primeira vez que algo assim acontece comigo. Nunca na minha vida senti uma tristeza tão insuportável, então como é que consegui sentir isso de forma tão real num sonho?
— Você está bem? — sussurra ele.
Faço que sim apoiada em seu peito.
— O que aconteceu?
Balanço a cabeça.
— Não sei. Acho que tive um pesadelo.
— Quer conversar sobre isso? — Ele acaricia meu cabelo com as mãos.
Nego com um gesto.
— Não. Não quero lembrar.
Ele me abraça por um bom tempo e beija minha testa.
— Não quero deixá-la sozinha, mas preciso ir embora. Não quero criar problemas para você.
Concordo com a cabeça, mas não o solto. Sinto vontade de implorar para ele não me deixar sozinha, mas não quero parecer desesperada e apavorada. As pessoas têm pesadelos o tempo inteiro; não sei por que estou reagindo assim.
— Volte a dormir, Demi. Está tudo bem, foi só um pesadelo.
Eu me deito novamente e fecho os olhos. Sinto seus lábios tocarem minha testa, e depois ele vai embora.

*****

Princesas, não postei ontem porque não tinha visualização, ok? Não teve nada a ver com comentários, afinal, depois de tanta demora, eu nem tenho o direito de cobrar, mas eu to TÃO feliz por vocês terem comentado.
Não respondi porque não deu tempo, mas li todos e awn, quero morder vocês ahsoais também senti saudades, e gamo ~ vulgo amo ~ todas vocês
Amanhã tem mais, amores, beijos.

20.2.15

Capítulo Onze




Sábado, 29 de setembro de 2012
10h25

Estou em pé perto da janela, esperando impaciente, quando Jonas finalmente para o carro em frente à minha casa. Saio pela porta e a tranco, me virando em seguida para o veículo e acabo ficando paralisada. Ele não está sozinho. A porta do carona se abre, e um cara sai lá de dentro. Quando ele se vira, tenho certeza de que a expressão no meu rosto é algo entre OMG e PQP. Estou aprendendo.
Nick está segurando a porta do carona com um sorriso enorme no rosto.
— Espero que não se incomode se eu ficar de vela hoje. Meu segundo melhor amigo do mundo inteiro me convidou para vir.
Chego até a porta do carona, confusa pra caramba. Nick espera até eu entrar, abre a porta de trás e entra também. Eu me inclino para a frente e viro a cabeça para Jonas, que está gargalhando como se tivesse acabado de contar o final de uma piada muito engraçada. Uma piada que não escutei.
— Será que um de vocês pode me explicar o que diabos está acontecendo? — pergunto.
Jonas segura minha mão e a leva até seus lábios, beijando os nós dos dedos.
— Vou deixar Nick explicar. Ele fala mais rápido, afinal de contas.
Eu me viro no banco enquanto Jonas começa a dar ré. Ergo a sobrancelha para Nick.
Ele me lança um olhar nítido de culpa.
— Eu meio que estava mantendo uma aliança dupla nessas duas últimas semanas — diz ele um pouco encabulado.
Balanço a cabeça, tentando assimilar sua confissão. Fico olhando de um para o outro.
— Duas semanas? Vocês têm conversado há duas semanas? Sem mim? Por que não me contaram?
— Eu tive de prometer que não ia contar nada — revela Nick.
— Mas...
— Vire-se e ponha o cinto — diz Jonas para mim.
Fulmino-o com o olhar.
— Espere um pouco. Estou tentando entender por que você fez as pazes com Nick duas semanas atrás e esperou até hoje para ficar de bem comigo.
Ele olha para mim e depois dirige o olhar para a rua à sua frente.
— Nick merecia um pedido de desculpas. Agi feito um babaca naquele dia.
— E eu não merecia um?
Ele olha para mim imediatamente desta vez.
— Não — diz ele firme, voltando a olhar para a rua. — Você não merece palavras, Demi. Merece ações.
Fico encarando-o, imaginando quanto tempo ele ficou acordado durante a noite para formar essa frase perfeita. Ele olha de volta para mim, solta minha mão e faz cócegas na parte da frente da minha coxa.
— Deixe de ser tão séria. Seu namorado e seu melhor amigo do mundo inteiro estão levando você para um mercado de pulgas.
Eu rio e dou um tapa para afastar sua mão.
— Como posso ficar feliz se se infiltraram na minha aliança? Vocês dois vão ter de me bajular pra caramba hoje.
Nick apoia o queixo no topo do encosto do meu banco e olha para mim.
— Acho que fui eu quem mais sofreu com essa experiência terrível. Seu namorado arruinou minhas duas últimas sextas se lamentando e reclamando sobre o quanto queria você, mas como não queria desapontá-la e blá-blá-blá. Foi difícil não reclamar com você sobre isso todos os dias no almoço.
Jonas volta a cabeça para Nick.
— Bem, agora vocês dois podem reclamar o quanto quiserem de mim. A vida voltou a ser como devia. — Ele desliza os dedos entre os meus e aperta minha mão. Sinto um formigamento na pele e não sei se é por causa do toque ou das palavras dele.
— Ainda acho que mereço ser mimada hoje — digo para os dois. — Quero que comprem para mim tudo o que eu quiser no mercado de pulgas. Não me importo com o preço nem com o tamanho ou com o peso.
— Isso aí — diz Nick.
Solto um gemido.
— Ai, meu Deus, Jonas já está contagiando você.
Nick ri, estende o braço por cima do meu banco, segura minhas mãos e depois me puxa na direção dele.
— Deve ser mesmo, pois estou louco para me aconchegar com você aqui no banco de trás — diz Nick.
— Não estou contagiando você tanto assim se acha que tudo o que eu faria é me aconchegar com ela no banco de trás — afirma Jonas. Ele dá um tapa no meu bumbum logo antes de eu cair no banco de trás com Nick.
— Não pode estar falando sério — diz Jonas, segurando o saleiro que acabei de colocar nas mãos dele.
Estamos andando pelo mercado de pulgas há mais de uma hora e continuo firme com meu plano. Eles estão comprando tudo que peço. Fui enganada e vou precisar de muitas compras aleatórias para me sentir melhor.
Olho para a estatueta em suas mãos e balanço a cabeça.
— Tem razão. Eu devia comprar o conjunto.
Pego o pimenteiro e o entrego a ele. Não que eu realmente queira essas coisas. Não entendo como qualquer pessoa pode querer isso. Quem é que faz pimenteiros e saleiros de cerâmica no formato de intestinos delgado e grosso?
— Aposto que pertenciam a algum médico — diz Nick, admirando-os comigo. Enfio a mão no bolso de Jonas, tiro a carteira dele e me viro para o homem atrás da mesa. — Quanto custa?
Ele dá de ombros.
— Não sei — responde ele sem entusiasmo. — Um dólar cada um?
— Que tal um dólar pelos dois? — pergunto. Ele pega o dólar das minhas mãos e concorda com a cabeça.
— Bela barganha — diz Jonas, balançando a cabeça. — Acho bom ver isso na mesa da sua cozinha da próxima vez que visitá-la.
— Eca, não — digo. — Quem é que vai querer olhar para intestinos durante a refeição?
Desvendamos mais alguns pavilhões até chegarmos ao de Dianna e Eddie. Quando alcançamos a barraca, Dianna fica espantada, observando Nick e Jonas.
— Oi — digo, estendendo as mãos. — Surpresa!
Eddie levanta-se em um salto e dá a volta na barraca, me dando um breve abraço. Dianna faz o mesmo e fica me encarando com cautela o tempo inteiro.
— Relaxe — digo, após perceber que está olhando preocupada para Jonas e Nick. — Nenhum dos dois vai me engravidar esse fim de semana.
Ela ri e finalmente me abraça.
— Feliz aniversário. — Ela se afasta e seus instintos maternais vêm à tona com quinze segundos de atraso. — Espere. Por que está aqui? Está tudo bem? Você está bem? A casa está bem?
— Está tudo bem. Estou bem. Só fiquei entediada e convidei Jonas para vir fazer compras comigo.
Jonas está atrás de mim, apresentando-se para Eddie. Nick passa por mim e abraça Dianna.
— Eu me chamo Nick — diz ele. — Estou numa aliança com sua filha para dominar o sistema do colégio público e todos os seus lacaios.
— Estava — esclareço, olhando para ele. — Estava numa aliança comigo.
— Já gostei de você — diz Dianna, sorrindo para Nick. Ela olha para Jonas e aperta sua mão. — Jonas — cumprimenta ela com educação. — Como vai?
— Bem — responde ele, com cautela.
Olho para ele, que parece constrangido ao extremo. Não sei se é pelo pimenteiro e saleiro que está segurando ou porque encontrar Dianna agora é diferente pois está namorando a filha dela. Tento disfarçar me virando e perguntando a Dianna se ela tem alguma sacola que possamos usar para guardar nossas coisas. Ela enfia o braço debaixo da mesa e estende uma sacola para Jonas. Ele coloca o pimenteiro e o saleiro ali dentro enquanto Dianna olha para a bolsa e depois para mim, interrogativamente.
— Nem pergunte — digo.
Pego a sacola com ela e a abro para que Nick possa guardar a outra compra. É uma imagem da palavra “derretido”, escrita com caneta preta em um papel branco, numa moldura de madeira. Custou 25 centavos e não faz o menor sentido, então claro que tive de comprar.
Alguns clientes aproximam-se da mesa, então Eddie e Dianna a circundam e passam a ajudá-los. Eu me viro e vejo que Jonas está encarando os dois com um olhar intenso. Não o vejo com essa expressão desde aquele dia no refeitório. Fico um pouco aborrecida com isso, então ando até ele e deslizo um braço pelas suas costas, querendo desesperadamente que aquele olhar desapareça.
— Ei — digo, fazendo-o prestar atenção em mim. — Você está bem?
Ele faz que sim com a cabeça e beija minha testa.
— Estou bem — responde ele, pondo um braço ao redor da minha cintura e abrindo um sorriso para me tranquilizar. — Você me prometeu bolo de funil — diz ele, acariciando minha bochecha.
Faço que sim com a cabeça, aliviada por ver que ele está bem. Não quero mesmo que Jonas tenha um de seus momentos intensos logo agora, bem na frente de Dianna. Não sei se ela vai compreender sua maneira apaixonada de viver; ainda estou começando a entender.
— Bolo de funil? — pergunta Nick. — Alguém falou em bolo de funil?
Eu me viro, e o cliente de Dianna foi embora. Ela está imóvel ao lado da mesa, observando o braço de Jonas ao redor da minha cintura. Parece estar pálida.
Por que todo mundo está com esses olhares estranhos hoje, hein?
— Você está bem? — pergunto a ela. Não é como se ela nunca tivesse me visto com um namorado antes. Matt praticamente morou na nossa casa durante todo o mês em que namoramos.
Ela olha para mim e lança um rápido olhar para Jonas.
— Só não sabia que estavam namorando.
— Pois é. Sobre isso... — digo. — Até teria contado para você, mas só começamos a namorar há quatro horas.
— Ah — diz ela. — Bem... formam um belo casal. Será que posso conversar com você? — Ela aponta a cabeça para trás, indicando que quer privacidade. Afasto o braço de Jonas e a acompanho até uma distância onde ninguém nos escute. Ela se vira e balança a cabeça.
— Não sei o que pensar sobre isso — sussurra ela.
— Pensar sobre quê? Tenho 18 anos e estou namorando. Não é nada de mais.
Ela suspira.
— Eu sei, é que... e o que vai acontecer hoje à noite? Quando eu não estiver em casa? Como vou saber que ele não vai passar a noite toda com você?
Dou de ombros.
— Não tem como saber. Precisa confiar em mim — digo, me sentindo culpada imediatamente pela mentira. Se ela soubesse que ele já passou a véspera comigo, acho que meu namorado não estaria mais vivo.
— É que é estranho, Demi. Nunca chegamos a discutir as regras para os garotos quando não estou presente. — Ela parece estar muito nervosa, então faço o que posso para tranquilizá-la.
— Mãe? Confie em mim. Nós literalmente acabamos de decidir que estamos namorando faz só algumas horas. De jeito algum vai acontecer alguma coisa entre nós que você tem medo de que aconteça. Ele vai embora à meia-noite, prometo.
Ela balança a cabeça de maneira não muito convincente.
— É só que... não sei, não. Ver vocês dois abraçados agora? A maneira como estavam interagindo? Não é como um casal recente se olha, Demi. Fiquei surpresa porque achei que estava saindo com ele há um tempo e só não tinha me contado. Quero que seja capaz de conversar comigo sobre qualquer coisa.
Seguro a mão dela e a aperto.
— Eu sei, mãe. E, acredite em mim, se hoje não tivéssemos vindo para cá juntos, amanhã eu teria lhe contado tudo sobre ele. Contaria tudo até você se cansar de ouvir. Não estou escondendo nada, OK?
Ela sorri e me dá um breve abraço.
— Ainda quero que me conte tudo amanhã, até me cansar de ouvir.

Sábado, 29 de setembro de 2012
22h15

— Demi, acorde.
Ergo a cabeça do braço de Nick e enxugo a baba na lateral de minha bochecha. Ele olha para a camisa molhada e faz uma careta.
— Foi mal. — Eu rio. — Não devia ter ficado tão confortável.
Chegamos à sua casa após passarmos oito horas andando e olhando tranqueiras. Jonas e Nick acabaram participando da brincadeira, e todos nós ficamos um pouco competitivos, vendo quem conseguia encontrar o objeto mais sem sentido. Acho que meu pimenteiro e saleiro em forma de intestino ainda ganham, mas Nick chegou perto com o quadro de veludo de um cachorrinho montado nas costas de um unicórnio.
— Não se esqueça do seu quadro — digo, quando ele sai do carro. Ele se curva, pega o quadro no chão e beija minha bochecha.
— Até segunda — diz ele para mim, e então olha para Jonas. — Nem pense em se sentar na minha carteira na primeira aula só porque ela é sua namorada.
Jonas ri.
— Não sou eu que levo café para ela todo dia. Ela nunca me deixaria destituir você.
Nick fecha a porta, e Jonas espera ele entrar em casa antes de ir embora.
— O que acha que está fazendo aí atrás? — pergunta ele, sorrindo para mim pelo retrovisor. — Venha para cá.
Balanço a cabeça e continuo parada.
— Meio que gosto de ter um chofer.
Ele para o carro, solta o cinto e se vira.
— Venha aqui — diz ele, alcançando meus braços. Ele segura meus pulsos e me puxa para a frente até nossos rostos ficarem a apenas centímetros de distância. Então leva a mão até meu rosto e belisca minhas bochechas como se eu fosse uma criança. E dá um selinho barulhento nos meus lábios distorcidos. — Eu me diverti hoje. Você é meio estranha.
Ergo a sobrancelha, sem saber se foi um elogio ou não.
— Valeu?
— Gosto de estranheza. Agora venha logo para a frente antes que eu decida ir para o banco de trás e não me aconchegar com você. — Ele puxa meu braço, vou para o banco da frente e coloco o cinto.
— O que vamos fazer agora? Vamos para sua casa? — pergunto.
Ele balança a cabeça.
— Não. Temos mais uma parada.
— Minha casa?
Ele balança a cabeça novamente.
— Você vai ver.
Vamos dirigindo até os arredores da cidade. Reconheço que estamos no aeroporto local quando para o carro no acostamento. Ele sai sem dizer nada e dá a volta para abrir minha porta.
— Chegamos — diz ele, acenando a mão para a pista no campo à nossa frente.
— Jonas, esse é o menor aeroporto num raio de 300 quilômetros. Se está querendo ver um avião pousar, vamos ter de passar dois dias aqui.
Ele puxa minha mão e me conduz por uma pequena colina.
— Não estamos aqui para ver os aviões. — Ele continua andando até chegar à grade que cerca o aeroporto. Ele a balança para conferir se está firme e segura minha mão outra vez. — Tire os sapatos, assim fica mais fácil — diz ele. Olho para a grade e depois para ele.
— Está achando que vou subir nessa coisa?
— Bem — diz ele, olhando para a grade. — Posso muito bem erguê-la e jogá-la por cima dela, mas talvez isso doa um pouco mais.
— Estou de vestido! Você não me avisou que íamos pular grades hoje. Além do mais, isso é ilegal.
Jonas mexe a cabeça e me empurra para a grade.
— Não é ilegal quando meu padrasto administra o aeroporto. E não, não contei que íamos pular grades porque não queria que trocasse o vestido.
Seguro na grade e começo a testá-la quando, com um único movimento rápido, ele põe as mãos na minha cintura e me ergue, já me fazendo passar por cima dela.
— Caramba, Jonas! — grito, pulando do outro lado.
— Eu sei. Fui rápido demais. Eu me esqueci de dar uma apalpada. — Ele ergue-se na grade, passa a perna por cima e salta. — Venha — diz ele, segurando minha mão e me puxando para a frente.
Andamos até a pista. Paro e dou uma olhada no comprimento gigante. Nunca andei de avião e só de pensar nisso eu meio que fico apavorada. Especialmente quando vejo que tem um lago no fim da pista.
— Algum avião já pousou naquele lago?
— Só um — afirma ele, me puxando. — Mas era um pequeno Cessna, e o piloto estava drogado. Ele ficou bem, mas o avião continua no fundo do lago. — Ele se senta na pista e puxa minha mão, querendo que eu faça o mesmo.
— O que vamos fazer? — pergunto, ajeitando o vestido e tirando os sapatos.
— Shh — diz ele. — Deite-se e olhe para cima.
Encosto a cabeça no chão e ergo o olhar, em seguida solto uma arfada. Em cima de mim, em todas as direções, há um cobertor com as estrelas mais brilhantes que já vi na vida.
— Uau — digo. — No meu quintal elas não são assim.
— Eu sei. Por isso trouxe você aqui. — Ele põe o braço entre nós e enrosca o dedo mindinho no meu.
Ficamos sentados por um bom tempo sem falar nada, mas é um silêncio confortável. De vez em quando, ele ergue o mindinho e alisa a lateral da minha mão, mas isso é tudo. Ficamos lado a lado, e meu vestido é de acesso razoavelmente fácil, mas ele nem sequer tenta me beijar. Fica claro que não me trouxe aqui para o meio do nada só para se agarrar comigo. Ele me trouxe aqui para compartilhar essa experiência comigo. Mais uma coisa pela qual é apaixonado.
Tem tanta coisa sobre Jonas que me surpreende, especialmente as coisas das últimas 24 horas. Ainda não sei direito o que o chateou tanto no refeitório naquele dia, mas ele parece saber muito bem o que fez e que aquilo nunca mais vai se repetir. E tudo que posso fazer agora é confiar e deixar a situação em suas mãos. Só espero que ele saiba que é toda a confiança que me restou. Tenho certeza absoluta de que, se me magoar outra vez como já aconteceu, vai ser a última vez que me magoa na vida.
Inclino a cabeça em sua direção e fico observando-o encarar o céu. Suas sobrancelhas estão unidas, e é óbvio que está pensando em algo. Parece que ele sempre está pensando em alguma coisa, e fico curiosa para saber se algum dia serei capaz de atravessar essa barreira. Ainda há tantas coisas que quero saber sobre seu passado, sua irmã, sua família. Mas mencionar isso enquanto ele está tão concentrado o tiraria de onde quer que sua mente esteja agora. E não quero fazer isso. Sei o local exato onde está e o que está fazendo enquanto olha para o espaço ao seu redor. Sei porque é exatamente o que faço quando fico olhando para as estrelas no teto do meu quarto.
Fico observando-o por um bom tempo, depois desvio o olhar de volta para o céu e começo a me entregar a meus próprios pensamentos. Então nesse momento ele interrompe o silêncio com uma pergunta que surge do nada.
— Você teve uma vida boa? — pergunta ele baixinho.
Fico pensando na pergunta, mas em boa parte por querer saber no que ele estava pensando ao me perguntar isso. Será que estava mesmo pensando na minha vida ou será que era na dele?
— Sim — respondo com honestidade. — Tive, sim.
Ele suspira pesadamente e segura toda a minha mão.
— Que bom.
Não falamos mais nada até meia hora depois, quando diz que está pronto para ir embora.
Chegamos à minha casa alguns minutos antes da meia-noite. Nós dois saímos do carro, ele pega as sacolas com as compras aleatórias e me acompanha até a porta. Mas então para e põe as bolsas no chão.
— Não vou entrar — afirma ele, pondo as mãos nos bolsos.
— Por que não? Você é um vampiro? Precisa de permissão para entrar?
Ele sorri.
— Só acho que não devia ficar.
Vou até ele, coloco os braços ao seu redor e lhe dou um beijo no queixo.
— Por que não? Está cansado? Podemos nos deitar, sei que mal dormiu ontem. — Não quero mesmo que vá embora. Dormi melhor em seus braços que em qualquer outra noite.
Ele reage ao meu abraço pondo os braços ao redor dos meus ombros e me puxando para seu peito.
— Não posso — diz ele. — São várias coisas, na verdade. O fato de que minha mãe vai me encher de perguntas quando eu chegar em casa, querendo saber por onde ando desde ontem à noite. Porque ouvi você prometer à sua mãe que eu iria embora antes da meia-noite. E também porque passei o dia inteiro vendo você andando por aí com esse vestido e não consegui parar de pensar no que tem embaixo dele.
Ele leva a mão até meu rosto e fica encarando minha boca. Suas pálpebras ficam pesadas, e ele começa a sussurrar:
— Sem falar nesses lábios — diz ele. — Você não tem ideia do quanto foi difícil prestar atenção em cada palavra que você disse hoje, pois eu só conseguia pensar no quanto são macios. No quanto o gosto é incrível. No quanto se encaixam com perfeição nos meus. — Ele se inclina, me beija de leve e se afasta no instante em que começo a me derreter em cima dele. — E esse vestido — continua ele, passando a mão pelas minhas costas e deslizando-a delicadamente por cima do meu quadril e pela parte da frente da minha coxa. Estremeço debaixo das pontas dos dedos dele. — Esse vestido é o principal motivo pelo qual não vou entrar nessa casa.
Pela maneira como meu corpo está reagindo, concordo de imediato com sua decisão de ir embora. Por mais que eu adore ficar com ele e adore beijá-lo, já consigo perceber que eu realmente não conseguiria me conter, e acho que ainda não estou pronta para termos essa primeira vez.
Suspiro, mas tenho vontade de gemer. Por mais que concorde com o que ele está dizendo, meu corpo está totalmente furioso por eu não estar implorando para ele ficar. É estranho como passar o dia com Jonas só aumentou minha necessidade de ficar perto dele o tempo todo.
— Isso é normal? — pergunto, olhando-o nos olhos, que estão cheios de desejo de uma maneira que nunca vi. Sei por que ele está indo embora, pois está claro que também está desejando essa primeira vez.
— O que é normal?
Pressiono a cabeça em seu peito para evitar ter de olhar para ele enquanto falo. Às vezes digo coisas que me deixam envergonhada, mas preciso dizê-las mesmo assim.
— O que nós sentimos um pelo outro é normal? Não nos conhecemos há tanto tempo assim. A maior parte desse tempo passamos nos evitando. Mas não sei, é que parece diferente com você. Acho que quando a maioria das pessoas namora, os primeiros meses servem para construir uma ligação entre o casal. — Ergo a cabeça do peito dele para olhá-lo. — Sinto como se eu tivesse isso com você desde o instante em que nos conhecemos. Com a gente tudo é tão natural. Parece que já chegamos a esse nível, e que agora estamos tentando cumprir com esses passos que vêm antes. Como se estivéssemos tentando nos conhecer novamente, fazendo tudo mais devagar. Não acha estranho?
Ele afasta o cabelo do meu rosto e olha para mim com uma expressão muito diferente. A luxúria e o desejo foram substituídos por uma angústia, e, ao ver isso, sinto um aperto no coração.
— Seja lá o que isso for, não quero ficar analisando. Também não quero que fique fazendo isso, está bem? Vamos apenas agradecer por eu finalmente ter encontrado você.
Acho graça da última frase.
— Você diz isso como se estivesse me procurando antes.
Ele franze a testa, unindo as sobrancelhas, e põe as mãos nas laterais da minha cabeça, inclinando meu rosto para mais perto do dele.
— Passei a vida inteira procurando você.
Sua expressão está firme e determinada, e ele une nossas bocas assim que termina de dizer a frase. Ele me beija com força e com mais paixão do que fez o dia inteiro. Estou prestes a puxá-lo para dentro de casa comigo, mas ele me solta e se afasta quando seguro seu cabelo.
— Gamo você — diz ele, forçando-se a descer os degraus. — Até segunda.
— Gamo você também.
Não pergunto por que não vou vê-lo amanhã, pois sei que vai ser bom ter um tempo para processar as últimas 24 horas. Vai ser bom para Dianna também, porque estou mesmo precisando atualizá-la sobre minha nova vida amorosa. Ou melhor, minha nova vida gamorosa.

*****

Bom, vocês sabem que eu tava viajando, então não tenho o que fazer além de me desculpar. Me perdoem, de verdade.
Aproveitei bastante sim, amores, apesar da chuva, obrigada por se preocuparem.
Espero que alguém ainda leia aqui, :(
Amo vcs, beijos

P.S.: Senti saudades

12.2.15

Desculpa




Amores, me desculpem pela demora pra postar, mas é que eu to viajando e não deu tempo de avisar :(
Hoje a noite eu vou pra praia, vou ficar lá uma semana, não vai dar pra postar, agora to em Ourinhos, e to tentando postar isso pelo celular, não sei se vai dar muito certo.. Enfim, quando eu estiver na minha vó, onde tem computador, vou tentar adaptar a fic no pc dela, porque a adaptada ficou em casa :x, aí eu tento programar pra postar um capítulo por dia enquanto eu tiver fora.
Mais uma vez, eu não sei se vai dar tempo de adaptar e programar tudo, porque não sei a hora que vamos sair de lá, então se eu não conseguir, desculpa mesmo, gente, odeio deixar vocês esperando tanto.
É isso, amo vcs, bjs