26.8.16

Capítulo Cinquenta e Quatro




— Acho que vou morrer. — Nick soltou um palavrão. — Só para você saber, acho que vou mesmo morrer. Vai sair no jornal. As pessoas vão rir. A situação vai ficar feia, Selena. Só estou avisando.
— Só por precaução? — Selena tirou a blusa. Os olhos de Nick ficaram escuros.
— Isso, só por precaução.
— Entendo. — Ela tirou o short e o jogou no chão.
— Mas que merda! Estou me sentindo como uma criança!
— Você está tentando acabar com o clima? — Selena olhou de cara feia, botando as mãos nos quadris. Nick desviou os olhos.
— É, não foi isso mesmo o que eu quis dizer.
— Pode explicar melhor?
— Me sinto um adolescente. — Nick abriu um sorriso. — Como na primeira vez que a vi de biquíni.
— Ah, as histórias da sua adolescência pervertida! Diga-me, Satã...
— Aaaaaaah, vamos começar a falar sacanagem. Gostei.
Selena revirou os olhos.
— Qual era a cor do meu biquíni?
Nick umedeceu os lábios e avançou até ela.
— Rosa. Era um biquíni rosa-shocking. — Ele a puxou para os braços e começou a beijar sua orelha. — Me deixou com calor.
— Ah, é? — sussurrou Selena, afastando-se. — Por isso você me empurrou na piscina?
— Bem, estava calor. — Nick passou os dedos pelos lábios da noiva. — Você precisava se refrescar... Eu fui um cavalheiro.
— Você foi um babaca — retrucou Selena.
— Também. — Nick passou os dedos pelo cabelo dela. — Nossa, como você é linda!
Sentindo as bochechas corarem, Selena olhou para baixo. Ele não dizia aquilo havia quase uma semana, o que era perfeitamente compreensível, já que estavam sendo mantidos separados por vovó. Era algo bom de ouvir!
— Não faça isso. — Nick deu uma risada. — Não fique com vergonha de repente.
— Não estou com vergonha. — Selena o encarou. — Só estou feliz por ouvir você dizer isso.
Nick franziu a testa.
— Acha que eu não digo o bastante?
— Você diz, sim. — Selena não soou convincente nem para os próprios ouvidos. — Mas que droga, estou ficando exigente! É porque você me mima demais! — Ela beliscou o braço do noivo e ficou satisfeita ao ouvir o grito de dor.
— Pestinha! — Nick a jogou na cama e a prendeu sob o corpo, segurando seus pulsos, de modo que ela não conseguisse fugir.
Selena se debateu debaixo dele. Maldito. Era forte. Um músculo se contraiu na mandíbula de Nick, que cerrou os dentes e fechou os olhos. O cabelo escuro e ondulado caiu pela testa quando ele se inclinou, aproximando-se o suficiente para beijá-la. Em vez disso, inspirou e não fez mais nada.
— Hã, Nick? — sussurrou Selena.
— Hum?
— O que você está fazendo? Achei que estivesse morrendo. Disse que ia enlouquecer sem contato físico e agora... — Ela riu, sem fôlego.
— Está me cheirando?
— Isso. — Ele continuou a inspirar, o nariz fazendo cócegas nas laterais do rosto de Selena enquanto ele descia até seu pescoço.
Ah, como ele era bom! Ela havia esquecido como tudo parecia certo quando estavam juntos, como tudo parecia ficar bem quando ela estava perto dele... O resto do mundo tinha desaparecido e só havia eles, nada mais.
— Amo esse seu pescoço — murmurou Nick, e seus lábios queimavam a pele de Selena. — Tem cheiro de flor. Sempre teve. Não sei se é o seu perfume ou se é você. É incrível!
A língua dele roçou a pele dela, provando-a, sem pressa. Então ele a beijou uma, duas vezes, parando entre cada beijo, como se quisesse guardar na memória o gosto de cada ponto. Depois, os lábios deixaram o pescoço dela, seguindo em direção ao ombro.
— Fiquei um ano inteiro obcecado com esse ombro.
— Mentira! — Selena riu. — Qual é o seu problema?
Nick segurou o ombro direito dela, passando o polegar pela pele delicada, espalhando calafrios pelo corpo de Selena.
— É verdade. Você usava uma blusa que deixava esse ombro, o direito, descoberto. Eu tropecei no corredor, porque estava olhando aquele pedacinho de pele. Jurei a mim mesmo que um dia estenderia a mão para tocar seu ombro. É claro que, quando eu era adolescente, não parava aí. Eu queria...
— Me beijar? Transar comigo?
Nick riu, e seu sorriso provocou reações loucas na barriga de Selena. Ele não tinha ideia de como era devastador.
— Não, meu amor. Só queria segurar a sua mão. É verdade.
— Segurar a minha mão? Um pouco sem graça, não acha?
— Não acho. — Ele engoliu em seco, os olhos assumindo um brilho sensível enquanto umedecia os lábios e tirava o cabelo do rosto da noiva. — Sabia que, naquela época, você nunca iria querer me beijar. Então disse a mim mesmo que, se pudesse apenas segurar a sua mão...
— O quê? — perguntou Selena, sem fôlego.
Nick alcançou a mão ainda presa acima da cabeça dela e entrelaçou os dedos nos seus.
— Seria o suficiente.
Selena sentiu um nó na garganta. Nem conseguiu responder. O que dizer, depois de uma declaração daquelas?
— Eu teria ficado satisfeito — continuou Nick. — Teria ficado feliz mesmo... vivendo a minha vida, seguindo em frente, continuando sem o meu primeiro amor. Isso se eu pudesse segurar a sua mão. Pelo menos, era o que eu achava.
Selena apertou a mão dele e a levou até a bochecha.
— E agora? O que você acha?
— Nunca. — A voz dele estava rouca. — Nunca mesmo. — Ele soltou a mão e envolveu o rosto dela.
— Teria sido o suficiente? Apenas encostar nos seus dedos. — Ele colocou o polegar entre os lábios da noiva. — Teria acabado comigo. E, agora, só quero ficar a seu lado o tempo todo, cada segundo do dia. Não consigo tirar você da cabeça. Nunca vou me cansar de você. E espero que esse fogo, essa febre que você me causa, nunca acabe. — Ele tomou os lábios dela nos dele, sugando-os, e se afastou. — Só para constar, caso você ainda tenha alguma dúvida, acho que você é mais do que bonita.
Selena sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
— Já disse uma vez, há alguns meses, que eu devia dizer isso todos os dias... Mas parece que fui egoísta demais para pensar em dizer. É que não conseguia parar de pensar em como sua mão estava longe do melhor amigo: eu. — Nick deu uma piscadela. — Mas, Selena, graças a Deus você é minha, porque você é linda! Amo esses seus cílios...
— Nick. — Ela o interrompeu com um beijo. O noivo se afastou.
— Deixe que eu termine. Amo os seus cílios: eles sorriem com os seus olhos. E as suas mãos: Deus as fez para que se encaixassem nas minhas. Sério, vovó perguntou. E Ele respondeu que sim.
— Ah, é? O que mais Ele disse? — brincou Selena.
— Que você era minha desde o começo, desde a primeira vez que eu quis ver seu ombro, segurar sua mão, beijar sua boca perfeita. Que éramos nós dois contra o mundo, e que sempre será assim. — Ele suspirou. — O casamento é só o começo da nossa história, e espero que, quando Deus escrever o final, a gente ainda esteja de mãos dadas na última página.
Selena achava que não conseguiria falar. Apenas assentia enquanto observava o amor que Nick sentia por ela tomar conta dele — dos olhos até a postura protetora de seu corpo, que se inclinava sobre ela.
— Amo você. — Ela conseguiu dizer. Ele suspirou contra os lábios da noiva.
— Querida, amo tanto você! Mal posso esperar para que a gente se torne marido e mulher. E sinto muito pelo que vou fazer.
Já tonta, Selena sacudiu a cabeça.
— Pelo quê? O que você vai fazer?
Ele se afastou e vestiu a blusa.
— Nick, espere...
— Eu te amo... e sei que vou me arrepender disso em cinco segundos, o que quer dizer que preciso trancar a porta do meu quarto... — Ele suspirou.  — Mas, meu amor, vou aceitar o conselho da vovó, já que ela é a razão de estarmos juntos, para começo de conversa. Vou sair por aquela porta e esperar mais doze horas.
— Hum. — Selena brincou com a alça do sutiã. — Sério? Doze horas inteirinhas?
— Não faça isso comigo. — Nick fechou os olhos e suspirou. — Sim. Agora continue de lingerie enquanto tento passar por aquele cachorro sem ser assassinado.
Ele foi até a porta devagar, como se já duvidasse da própria decisão. Suspirando, Selena se levantou da cama e andou até ele. Então o abraçou por trás e encostou o queixo em suas costas.
— Eu te amo, Nicholas Jonas.
— Você... — Nick parou, os músculos tensos sob os braços dela. — É a minha vida, futura Selena Jonas. Selena o soltou e ele saiu. Nick tinha o autocontrole de um santo e, em vez de deixá-la brava, isso fazia com que ela o amasse ainda mais. Em doze horas, Nick seria dela. Todo dela.

*****

Confesso que eu pensei em pular esse capítulo, até porque é inteiro sobre o Nick e a Selena, que a autora fez porque eles eram o casal principal no primeiro livro e, assim, depois do fim, por meio desse os fãs da série puderam acompanhar o que aconteceu na vida dos dois, mesmo que agora como personagens secundários. Mas enfim, aí está. A noite tem mais, beijos 

25.8.16

Capítulo Cinquenta e Três




— Foi fácil demais — comentou Nick, do alto da escada. — Veja só, Joe nunca aprendeu francês, achava feminino demais para ele. Não é mesmo, irmãozinho?
— Nick... — disse Joe, ameaçador.
O que o irmão estava fazendo? Selena estava sentada no colo de Nick. Uma expressão de puro contentamento surgiu no rosto dos dois ao verem que o cachorro impedia Joe e Demi de chegarem ao quarto.
— Autocontrole faz bem — explicou Selena, beijando o pescoço de Nick.
— Não, sério. Estamos fazendo um favor a vocês dois.
— Como vocês se livraram da vovó? — perguntou Joe. — Ela não ia deixar os dois sozinhos.
Nick abriu um sorriso.
— Sr. Casbon. Parece que ele está se sentindo muito sozinho, desde que vovó decidiu ficar plantada aqui no corredor. Bastou uma ligação, e lá foi ela.
Joe queria socar o irmão até que aquele sorrisinho sumisse do rosto dele.
— Está bem, você ganhou. É mais inteligente que uma pulga. Podemos subir?
Selena e Nick se entreolharam como se perguntassem um ao outro: o que você acha? Demi resmungou atrás de Joe.
— Pensem nisso como um exercício para aprenderem a trabalhar em equipe — respondeu Selena, por fim. — Vocês terão de unir forças, se quiserem conseguir subir as escadas e chegar ao quarto, e nós iremos ignorar seus pedidos de socorro.
— E por que estão fazendo isso? — perguntou Joe.
— Perdemos um desafio — respondeu Selena, entre os dentes. — Parece justo que a gente tenha alguma compensação.
— Por que todos nós não podemos receber uma compensação?
— Porque, por sua culpa, vovó vai cantar no casamento — respondeu Selena. — Portanto, nós ganhamos compensação e vocês ganham... — Ela apontou para o cachorro. — Charles Barkley.
Nick e Selena comemoraram com um “toca aqui” e saíram do corredor, deixando Joe e Demi sozinhos com o pequeno cachorro.
— Quão perigoso ele pode ser? — Joe estendeu a mão na direção do cachorro, que começou a rosnar e a mostrar os dentes. — Ele está fingindo, não é? Você é bonzinho, não é, Charles? — Ele tentou de novo. Dessa vez, o cachorro quase arrancou um dedo dele. — É, acho que não é uma boa ideia nos aproximarmos muito. — Demi o puxou para trás.
— Pode ser que ele decida morder outra coisa, e tenho certeza de que isso acabaria com a noite.
Joe coçou a cabeça.
— O que a gente vai fazer? Ele está controlando o caminho para o nosso quarto, e os quartos de hóspede estão ocupados com os convidados do casamento.
— A gente pode gritar na porta do quarto de Amy, dizendo que a casa está pegando fogo, e depois a deixamos trancada do lado de fora — sugeriu Demi, esperançosa.
— Demi. — Joe segurou uma de suas mãos. — Seja melhor do que ela.
— Preciso mesmo?
— Só tente. — Joe deu uma risadinha e a puxou para seus braços, beijando-a com voracidade. O cachorro, claramente agitado, começou a latir. Joe se afastou, reclamando. — Pare de latir!
O cachorro latiu ainda mais alto e se encolheu como se estivesse prestes a pular.
— Shh! — Demi apontou para o cachorro. — Nada de latir!
O cachorro parou por dois segundos, até que começou a uivar.
— Odeio a vovó. — Joe praguejou. Demi se escondeu atrás dele. — Nossa, obrigado! Como foi que, de marido, passei a ser seu escudo humano?
Demi riu.
— Bem, estamos casados.
— É verdade.
— O que vamos fazer?
O cachorro não ia sair dali, isso era óbvio, e Joe não ia correr o risco de deixar que o animal mordesse suas partes íntimas. Sem outras ideias, ele se virou para o corredor.
— Já sei.
Dez minutos depois, eles estavam de volta à casa da árvore. Mas dessa vez tinham cobertores, mais vinho e pipoca. Joe segurou a mão de Demi, envolvendo-a na sua, enquanto olhava o rio pela janela.
— Quanto ao seu trabalho...
— Que se dane o meu trabalho! — Demi abraçou o pescoço dele e se sentou de pernas abertas no colo do marido. — É só isso, um trabalho.
— Mas você gostava dele de verdade. — Joe se liberou do abraço de Demi, desejando olhá-la nos olhos. — Você e Selena costumavam apresentar o jornal da manhã aqui na casa da árvore, quando tinham 7 anos. Tenho certeza de que era seu sonho.
— Eu gostava de contar histórias. E gostava de escrever... — Ela deu de ombros. — Gosto mais de você. Às vezes, as coisas que realmente queremos na vida estão sob o nosso nariz. Joe riu.
— Nossa, assim vou ficar vermelho! Foi um elogio bem sexy. Que bom que você gosta de mim... Será que podemos começar a sair e, quem sabe, um dia até nos casar? Ah, espere um pouco.... — Ele bateu a mão na testa. — Nós invertemos a ordem!
— Não. — Demi encostou a testa na dele. — A ordem inversa para uns pode ser a certa para outros.
Joe a fitou, e no seu olhar havia a promessa de que nunca a deixaria partir.
— Acho que gosto de fazer as coisas ao contrário.
Demi sorriu, e seus olhos azuis brilhavam ao luar.
— Eu também.

*****

Falta relativamente pouco pra acabar. Amanhã tem mais, beijos 

Capítulo Cinquenta e Dois




— Ela tem muito tempo livre — comentou Joe, quando entraram na cozinha. Demi não precisava de vinho, ainda estava tonta com aquelas horas na cama. Precisava de comida, isso sim.
— Vovó não tem culpa de o passatempo dela ser justamente os netos. — Demi encontrou as taças e trouxe duas para o balcão no meio da cozinha enorme e luxuosa. Joe pegou uma garrafa de vinho tinto e serviu os dois.
— Ei — ele mordeu o lábio inferior —, que tal a gente ir para a casa da árvore? Quero lhe mostrar uma coisa.
— Nossa, que garanhão! Aposto que dizia isso a todas, no colégio.
Joe revirou os olhos.
— Só pegue sua taça. Vamos lá.
Ela o seguiu, meio boba de felicidade, até a noite fria. Era ridículo, mas sua forma de ver a vida tinha mudado.
Talvez fosse porque finalmente estava com o homem que sempre quis. E casada, para ser mais precisa. Não apenas saindo com ele. Haviam invertido o processo? Sem problema.
— Vamos. — Joe pegou a taça das mãos de Demi e a colocou no chão da casa da árvore enquanto a ajudava a subir. Quando estavam no pequeno cômodo, Joe acendeu uma vela e soprou o fósforo. — Pronta para a surpresa?
— Depende. — Demi tomou um gole de vinho. — Você vai me contar uma história de terror ou está mesmo planejando uma surpresa?
— Pronta ou não? — Ele se inclinou para a frente e beijou sua boca com vontade.
— Pronta.
— Ah, corpo traidor! Feche os olhos.
Ela fez biquinho.
— Feche!
— Está bem! — Ela fechou os olhos e ouviu alguma coisa ser revirada. Parecia que ele estava segurando um embrulho ou uma sacola.
— Abra a boca.
— Não sei se quero fazer isso, não — respondeu.
— Confie em mim — sussurrou Joe.
E, como ele dissera que a amava, e ela finalmente confiava nele, Demi obedeceu. Abriu a boca. A primeira coisa que sentiu foi o gosto do creme doce. Abriu os olhos.
— Um Twinkie! — Rindo, ela pegou o bolinho com as mãos. — Por que você guarda Twinkies aqui em cima?
Joe pareceu corar. Ele mordeu o lábio inferior e se sentou ao lado dela.
— E agora é hora da história...
Ela encostou a cabeça no ombro de Joe.
— Era uma vez um garoto que conheceu uma garota. Ele a ofendeu por tê-la encarado, então a garota deu um soco na cara dele. — Demi riu, e Joe continuou: — Então, um dia, a garota deu a ele um Twinkie. Parece que, no primário, comida é considerada uma oferta de paz. O garoto não teve coragem de dizer à bela garota que não gostava de Twinkies, então os guardou. Cada vez que ela lhe dava um bolinho, ele corria para casa e o escondia na casa da árvore.
Os olhos de Demi se encheram de lágrimas.
— Como um esquilo?
— Como um esquilo idiota. — Joe riu. — Até que, um dia, acabaram os Twinkies. Você sabe, às vezes os garotos crescem e viram uns idiotas. Pensam que, como cresceu um pelo em seus queixos ou descobriram um músculo no braço, de repente não precisam mais das garotas com Twinkies. Pensam que deviam ter muitas garotas, não apenas uma. E aí estragam tudo... — Ele se virou para Demi e engoliu em seco. — Estraguei as coisas com você tantas vezes... Eu era tão apaixonado por você no ensino fundamental, e de repente foi como se nós dois tivéssemos parado de tentar. Foi a primeira vez que fui embora, meu primeiro erro.
Demi piscou para conter as lágrimas.
— E qual foi o segundo?
— Abandonar você outra vez, na noite em que fui egoísta e a usei para me sentir melhor comigo mesmo. — Joe suspirou. — E o terceiro e último erro na minha história trágica...
— Qual foi?
— Não beijar você no instante em que a vi outra vez, não pedir desculpas por ter lhe deixado... por ter lhe abandonado, mesmo que, lá no fundo, eu soubesse que era você, que sempre foi você, Demi.
Ela limpou algumas lágrimas que escorriam pelo rosto.
— Mas e Selena? Quer dizer, você e ela foram...
— Não era assim, nunca foi. — Joe sacudiu a cabeça. — Nunca. — Ele ficou sério e virou o queixo de Demi na direção de seus lábios. — Isto é indescritível.
— Ah.
— Uau! Depois de tudo isso, você só responde “ah”?
Demi sorriu e apoiou a cabeça no ombro dele outra vez.
— Bem, estou um pouco cansada depois de toda aquela mímica.
— Que pena. — Joe deu uma risadinha. — Tinha mais alguns truques na manga.
— Claro que tinha, bonitão!
Ouviram um barulho no chão perto da casa da árvore. Gesticulando para que Demi ficasse quieta, Joe olhou por cima da cerca e viu vovó atravessando o gramado até a casa do vizinho.
— O que ela está fazendo? — sussurrou Demi.
— Parece que está indo para um... joguinho da madrugada — sugeriu Joe.
— Com?
— O vizinho. Um velho maluco que só usa camisas havaianas e belisca a bunda da vovó durante os jantares em família. Ele a ama. É obcecado. Planeja suas manhãs de acordo com as caminhadas da vovó.
— Uau, quanta dedicação!
— Com certeza, ela está fazendo alguma coisa certa.
Demi deu risada.
— Ela é uma Jonas.
— Bem lembrado. — Umedecendo os lábios, ele a puxou para outro beijo. — Eu não a beijei, sabia? Não queria. Nunca quis.
— Quem?
— Amy.
— Ah, ela. — Demi bufou. — Minha inimiga da escola e típica menina malvada. Eu sei. Deixa pra lá. Juro que eu tinha esquecido, até que vi aquelas garras de acrílico perfurando seu peito.
— Aquilo dói. — Joe riu. — Pra caramba. E não é uma dor boa. É uma dor que faz os caras se afastarem devagar, para não serem devorados.
As luzes da varanda da casa do sr. Casbon se acenderam e, com uma risadinha estridente, Vovó foi puxada lá para dentro.
— Bem. — Joe estendeu a mão para ela. — Sabe o que isso significa.
Demi aceitou a mão dele.
— Podemos voltar para a cama?
Gemendo, ele a puxou para seus braços e a beijou.
— Sem ter que nos preocupar com vovó abrindo a porta.
Mordendo o lábio inferior, Demi virou a cabeça para o lado.
— Acho que vi chantilly na geladeira.
— Sério? Vamos! — Rindo, Joe a ajudou a descer a escada e os dois voltaram correndo para a casa. Já na cozinha, Joe encontrou as frutas e o chantilly e Demi pegou o vinho. Eles subiram as escadas, dois degraus por vez, mas congelaram ao ouvir um rosnado baixo. — Merda.

*****