22.8.16

Capítulo Quarenta e Seis




Joe viu tudo vermelho em sua frente. Ela estava nos braços de Jace. Sua garota, sua mulher, seu futuro... nas mãos sujas daquele político! Com um grito de guerra que teria deixado qualquer fã do filme Coração Valente orgulhoso, Joe atacou o inimigo, jogando-o em cima do balcão. Acertou um soco na mandíbula de Jace, fazendo com que a cabeça do outro homem batesse no tampo. Ao longe, ouviu Demi gritando para que parasse, mas era tarde demais. Jace caiu no chão.
— Meu Deus! — Demi cobriu o rosto com as mãos. — Você acabou de nocautear um senador!
— Bem. — Joe soltou um palavrão. — As mãos dele estavam em você!
— Que ótimo! — respondeu Demi. — Não se esqueça de dizer isso ao juiz, quando perguntarem por que você acha que não deveria ir para a cadeia! — Ela bateu na barriga de Joe e soltou um palavrão.
— Desculpe. Eu... eu entrei em pânico. Estava protegendo a sua honra!
— É o sujo falando do mal-lavado! — retrucou Demi. Joe a olhou irritado.
— Engraçadinha.
— O que você vai fazer? — Demi apontou para o corpo de Jace. — Você não o matou, né?
— Não bati tão forte assim — murmurou Joe, então se debruçou sobre Jace. — Ele provavelmente só ficará apagado por um tempinho.
— Bem, e quanto tempo vamos ficar esperando até ele acordar? — Demi continuava andando de um lado para outro, mas agora também levantava a taça, alternando entre beber e gritar com Joe.
— Não sei. Coloque o vinho na mesa. Você está me deixando nervoso.
— Eu estou deixando você nervoso? — Bem, pelo menos ela havia parado de andar de um lado para outro. — Que direito você tem de vir me resgatar, aliás?
Joe soltou um longo suspiro.
— Sempre quis ser o cavaleiro da armadura brilhante.
— Que engraçado, não lembrava que o cavaleiro dava porrada em um cara inocente.
— Inocente, uma ova! — gritou Joe. — As mãos dele estavam em você!
— E daí? — Ela cruzou os braços. — Por que você se importa?
— Mas que merda, Demi! — Em dois passos, ele a tinha nos braços. Ela abriu a boca, e, no instante em que suas línguas se encontraram, pegaram fogo. Ele a empurrou contra o balcão e aumentou a intensidade do beijo. O corpo dela respondia tão bem ao dele! Eles se beijavam como brigavam: de forma agressiva, passional, sem nada de lento nem monótono. Incapaz de se controlar, Joe abaixou as alças do vestido dela. A pele de Demi era suave como veludo. As mãos dela apertaram seu cabelo enquanto ele deslizava a língua pelo lábio inferior dela, provando, sugando o vinho de sua boca. Demi ficou arrepiada quando os lábios de Joe passaram a beijar seu colo, e logo acima do sutiã. No chão, Jace soltou um gemido. Joe o ignorou. O gemido ficou mais alto. Demi enfiou as unhas nas costas de Joe. Deus o odiava! Afastar-se dela era provavelmente uma das coisas mais difíceis que ele já tinha feito em toda a vida. Jace começava a se mexer.
— Devíamos ir embora. — Joe tentou recuperar o fôlego quando seus olhos encontraram os de Demi. Ela fora intensamente beijada, completamente desarrumada durante um momento, e por ele. Joe adorava saber que tinha sido o homem que a deixara daquele jeito. A expressão dela era de desejo, de necessidade — e tudo por causa dele. Jace gemeu outra vez. —
Vamos fugir da cena do crime, não vamos? — Demi segurou a mão de Joe enquanto se recompunham.
— Se alguém perguntar, ele caiu.
— De cara na sua mão? — perguntou Demi. — Sério? É essa mentira que vamos contar?
— Sinto muito se meu cérebro não está concentrado nisso. A gente tem sorte de eu conseguir andar e falar ao mesmo tempo, sem jogar você nas escadas e levantar sua saia.
— Mas você sabe que pode.
Joe congelou.
— Posso?
— Levantar a minha saia.
— Você está tentando me punir, não é?
Demi abriu um sorriso e sussurrou em seu ouvido.
— Comprei algumas lingeries naquela festa. Pense nisso durante o jantar.
— Ah, sim! Que ótimo! — Joe soltou um palavrão. — E então vovó vai pensar que... Pensar o quê? Que flores me deixam excitado? Que tenho tesão em ostras? Acho tudo isso muito desagradável. Vamos pular o jantar. — Quando chegaram ao topo das escadas, ele a empurrou para a parede mais próxima, prendendo-a com o corpo. — Só mais um beijo.
— Nunca é só um beijo com você, Joe.
Ele não pôde impedir o sorriso gigante que se espalhou pelo rosto.
— Que bom. Porque quero que eles nunca acabem. — Joe deu um beijo no nariz dela. — Preciso provar a você que não vai ser só um beijo — ele roçou os lábios nos dela — porque esse vai ser o primeiro de centenas de milhares de beijos. — Joe passou os lábios pela base do pescoço de Demi. — O primeiro dos últimos beijos que você vai receber. — Sua língua explorou a clavícula dela, subindo até o outro lado do pescoço. — Quero estragar os beijos das outras pessoas para você. Quero marcar você como minha. Quero ouvir você dizer meu nome, mas não porque está irritada, e sim porque está tão louca de tesão que não consegue nem raciocinar direito. É isso que quero fazer com você. Quero fazer você ser só minha.
— Sua? — Demi sentiu lágrimas nos olhos.
— Acho que você já percebeu que sou um homem bem possessivo. Cansei de fugir.
— Você consegue me prometer isso?
Joe envolveu o rosto dela com as mãos.
— Para sempre. Esta é a minha oferta.
— Então, isso é uma conversa de negócios? — Ela deu um sorriso provocante.
— Com certeza. — Ele a puxou para seus braços e beijou-a na testa. — É claro que eu vou fazer você assinar um papel sem sentido escrito por advogados que não têm nada melhor para fazer além de me proteger. Você vai ter que assinar a linha pontilhada, dizendo que aceita ser minha escrava sexual a qualquer hora do dia ou da noite. E então eu irei puni-la quando você tentar me deixar.
— Que ótimo. Se você ainda fosse executivo, eu poderia chamá-lo de Christian Grey.
— Joseph Jonas! — O grito de vovó podia acordar os mortos. — Cadê você? Precisamos conversar!
— A gente pode fugir? — perguntou Demi. — Vovó tudo vê. É como se esconder de Deus.
Com um suspiro, os dois se separaram. Joe levou a mão dela aos lábios.
— A gente pode conversar depois.
— Sobre toda essa história de “para sempre”? — Os olhos dela pareciam esperançosos, o que fez o coração de Joe bater ainda mais forte.
— Sim, sobre toda essa história de “para sempre”.
— Ah, aí estão vocês! — Vovó estava ofegante. — Procurei os dois por toda parte! É hora do brinde! Esperem aí, onde está Jace?
— Dormindo — respondeu uma voz atrás dos três. — Decidi tirar uma soneca.
— Na adega? — Vovó cruzou os braços. — Ah, querido! O que aconteceu com seu olho?
— Um esquilo. — Jace estreitou os olhos para Joe. — Parece que o diabinho encontrou as nozes que estava procurando e me atacou.
— Ah. — Vovó assentiu. — Está certo. Bem, tenho certeza de que as nozes dele não são nem de longe tão impressionantes quanto ele quer que a gente pense que são.
Demi se pronunciou:
— Ah, são sim!
Joe deu uma piscadela divertida. Jace disfarçou o sorriso com uma das mãos e olhou para vovó com uma expressão muito séria quando disse: — Se você estiver pronta, a gente devia voltar para o jantar.
— Está bem. — A senhora aceitou o braço dele, guiando-o para longe de Joe e de Demi.
— Obrigado. — Joe segurou a mão de Demi. — Por defender minha masculinidade.
— Ah, acho que ela levou um golpe bem grande nos últimos dias. Pensei em dar uma ajudinha.
Com um sorriso presunçoso, Joe a trouxe para mais perto de seu corpo e sussurrou:
— Acho que você vai me dar mais do que uma ajudinha, mais tarde.
— Veremos. — Os olhos de Demi se encontraram com os dele por um breve momento, antes de ela piscar e os desviar.

*****

Como prometi, aqui está. Beijos, lindas.

21.8.16

Capítulo Quarenta e Cinco




Joe daria a eles exatos cinco minutos a sós antes de entrar correndo na adega. Estava prestes a se oferecer para acompanhar Demi quando Jace se levantou, do outro lado da mesa, trocou um olhar estranho com vovó e depois saiu. Estreitando os olhos, Joe tomou um gole de vinho e ficou encarando a porta, esperando que os dois voltassem. Olhou o relógio de pulso. Mas que droga! Haviam se passado apenas trinta segundos!
— Ora, ora. — Vovó puxou uma cadeira e se sentou ao lado dele. — Nunca pensei que veria este dia.
— Oi? — Nossa, como ele estava sendo ridículo!
— Você escolheu bem. — Vovó suspirou. — Eu mesma a teria escolhido se tivesse como opinar. Mas meus dias de cupido terminaram, como você já sabe.
— Sei. — Joe umedeceu os lábios e olhou o relógio outra vez. Um minuto e meio. Que inferno!
— ... então, só preciso que você assine aqui. — Ela enfiou uma caneta na mão do neto. Ele mal olhou para o papel, assinando onde vovó apontava, e então devolveu a caneta. — Três minutos, Joe. Só se passaram três minutos. Não dá para acontecer muita coisa em três minutos. Bem, exceto... — Vovó deu uma risadinha. — Uma vez, seu avô e eu tínhamos só cinco minutos, e você não iria acreditar no que...
Joe se levantou em um pulo e saiu correndo na direção da casa. Parecia que a adega dos Jonas tinha saído das páginas de uma revista. Em uma das paredes, havia um bar de granito, com banquinhos altos de couro. Os Jonas tinham até cerveja de fabricação própria, um dos passatempos de Wescott. Garrafas de vinho enfileiradas ocupavam quase todas as paredes. Parecia o paraíso. Apesar de a companhia não ser tão ruim, não era a que Demi teria escolhido. Talvez ela só devesse agradecer.
— Então — Jace pegou uma garrafa de vinho —, que tal esta? Um merlot envelhecido?
— Parece ótimo. — Demi não dava a mínima. Sem prestar atenção, caminhou até o bar. Havia algumas fotos emolduradas espalhadas pelo tampo. Uma delas era de Joe e Nick quando crianças. Selena estava entre os dois, dando um beijo na bochecha de Joe. Selena sempre estivera bem onde Demi queria estar.
Não que a inveja pudesse acabar com a amizade das duas, mas Demi achava que tudo sempre fora muito fácil para Selena.
— Tudo bem? — Jace se aproximou por trás dela e colocou as mãos em seus ombros.
— Tudo. — Demi ficou tensa. — Por que a pergunta?
— Porque eu estava falando havia alguns minutos, e você não respondia. Juro que fiquei com medo de que você tivesse parado de respirar.
A risada escapou de seus lábios antes que ela pudesse impedir.
— Ah, aí está — sussurrou Jace.
— O quê? — Ela se virou para encará-lo.
— A risada. Gosto dela. Você não ri o suficiente.
Demi umedeceu os lábios e se inclinou para trás, apoiando-se no bar.
— Foi uma semana difícil. O que eu posso fazer?
Jace assentiu.
— Eu sei.
Como é que ele poderia saber? Nem a conhecia!
— Amor não correspondido não é para os fracos. — Ele pegou o saca-rolhas e abriu a garrafa, servindo uma pequena taça para Demi e outra para si. Então ergueu a taça, batendo-a na dela. — Como você está?
— Como é que você sabia que...
Jace riu.
— Não sou idiota. Mas me permita perguntar uma coisa. — Ele tirou a taça das mãos de Demi e a colocou na mesa.
— O quê? — Os olhos dele eram tão claros e bonitos que era difícil não se perder ali.
— Você não acha — ele ajeitou uma mecha de cabelo por trás da orelha de Demi e encostou sua testa na dela — que talvez o motivo de você o amar, ou pensar que ama, seja o fato de ele nunca ter correspondido aos seus sentimentos? Talvez você só precise botar um ponto final de alguma forma.
Demi tremeu sob o toque de Jace.
— É isso que você está oferecendo: um ponto final?
Jace envolveu o rosto de Demi com as mãos, acariciando o lábio inferior dela com os polegares.
— Não gosto de ser a segunda opção, Demi. Mas estaria disposto a ser a sua. Isto é, se você me quiser. Adoraria levar você para sair, comer e beber ao seu lado, fazer com que você se sinta querida, porque, honestamente, esse é o meu trabalho, como homem. Fazer você se ver como eu a vejo. E acho que você não tem uma imagem muito clara de si mesma. Acho que toda a sua vida pode ser resumida em uma única palavra.
Ela tentou se afastar, mas Jace a segurava firme.
— Está bem, sr. Psicólogo, que palavra é essa?
Ele deu um sorriso triste.
— Quase. É assim que você se define. Quase. E isso me deixa triste, porque você não é esse tipo de garota.
— E você é especialista no tipo de garota que eu sou?
— Com certeza.
— Bem, então qual é o meu tipo?
Jace inclinou a cabeça para o lado e passou as mãos gentilmente pela lateral do pescoço de Demi.
— Para sempre. Você é do tipo para sempre.
Os lábios dele encontraram os dela suavemente, depois se afastaram.
— A pergunta é: você quer mesmo esquecê-lo? Quer seguir em frente? Quem sabe ao meu lado? Seria o suficiente? Será que minhas palavras, meu dinheiro, tudo o que tenho a oferecer bastariam para apagá-lo da sua memória para sempre?
O lábio inferior de Demi tremia. Com leve assombro, ela balançou a cabeça.
— Não, Jace. Sinto muito, mas não. Com um sorriso enorme, ele se afastou.
— Fico feliz.
— Oi? Jace deu de ombros.
— Fiz aula de teatro na escola, por diversão. Preciso admitir que essa foi a coisa mais divertida que já fiz em anos.
Confusa, tudo o que Demi conseguiu fazer foi encará-lo.
— Seu idiota! Você fingiu gostar de mim?
— Claro que não. — Jace segurou a mão dela. — Eu ficaria muito feliz em tirar você das mãos daquele babaca, mas você não quer se afastar delas. Acertei?
— Não estou entendendo. — Demi massageou as têmporas. — Uma palavra. — Jace assentiu.
— Vovó.
— Não! — disse Demi, espantada. — Ela contratou você?
— Não, não preciso de dinheiro. Só queria me recuperar de um término complicado. Aquela mulher está tentando arranjar alguém para mim desde o ano passado. Ela me apresentou a Nick, e o resto é história. Eu já estaria no casamento, de qualquer forma. Foi tudo muito fácil. Nick queria que eu conhecesse você. Vovó tinha outros planos. E aqui estou, bebendo vinho enquanto todos planejam nossa noite de núpcias.
— Caramba! — Demi andou de um lado para outro, na frente dele. — Aquela mulher é louca.
— Ela é um gênio louco. — Jace ergueu a taça. — Admita. Ela ajudou mais do que atrapalhou.
— Ela comprou um vestido de casamento para mim.
— Isso não dá azar? — Jace inclinou a cabeça. — Só curiosidade.
— Então você não é um almofadinha babaca. Ele pareceu pensar no assunto, então respondeu:
— Não, acho que não. Mas se perguntar para a minha ex, ela vai dizer que sou isso e muito mais. Só estou tentando sobreviver ao casamento sem que sua avó me mate e me enterre. Sabe que ela comprou uma coleira de choque, não sabe?
Rindo, Demi passou os braços ao redor do pescoço de Jace.
— Não sei se devia agradecer ou dar um tapa na sua cara, por ter me beijado.
— Ei. — Jace se afastou e a beijou no rosto. — Minha oferta ainda está de pé. Mesmo sem a sua avó incrível e manipuladora, eu gostaria de ter o número de seu telefone.
— Obrigada. — Demi deu um beijo breve nos lábios dele. Que aparentemente não foi breve o bastante. Porque o que ela viu em seguida foi Joe disparando escada abaixo, com os olhos cheios de raiva.

*****

Mais um porque vocês merecem. 

Capítulo Quarenta e Quatro




Demi bebeu a segunda taça de vinho e se sentou em frente à mesa grande que fora arrumada do lado de fora. O jantar era um bufê completo. Normalmente, seria oferecido pelos pais da noiva, mas, como eles não podiam estar presentes, todo o clã Jonas estava pagando aquela festa. Algumas tendas de comida estavam espalhadas pela lateral do jardim. A mesa principal, para os convidados diretamente envolvidos na cerimônia, era comprida e estava ornada com flores tropicais e diferentes tipos de vela. Tudo era tão romântico que partia o coração de Demi. Vovó se sentou ao lado de Demi e olhou para a taça de vinho.
— Quantas você já bebeu?
— O suficiente. — Demi suspirou.
— Hum. — Vovó abriu a grande bolsa e pegou um envelope pardo. — O pastor me deu permissão para que vocês assinassem separadamente, já que estão de birra.
Demi olhou para a habilitação de casamento.
— Não era para a gente preencher isso amanhã?
— Argh. — Vovó a calou com um gesto. — É só mais um detalhe com o qual não precisaremos nos preocupar amanhã. Assine aqui. — Ela puxou apenas a ponta do papel, de maneira que a maior parte continuava coberta. O que era ótimo, na opinião de Demi, pois ela não queria ver o lugar destinado à assinatura de Joe. Os dois tinham perdido a cabeça. Demi nem conseguia lembrar o motivo por que estava tão brava com ele. Se parasse para pensar, veria que não era raiva. Na verdade, sentia-se completamente humilhada e rejeitada. Ele fez com que ela se apaixonasse. E ela se apaixonou. Muito. Depois do casamento, eles seguiriam caminhos diferentes, e ela ficaria jogada no sofá, desempregada, lamentando o fato de que o único cara que já tinha amado na vida não retribuía o sentimento. Ou apenas não a queria o bastante para tentar amá-la. Demi assinou o papel depressa e devolveu a caneta a vovó.
— Ora, ora. — Vovó deu tapinhas nas costas de Demi. — Vai ficar tudo bem. Confie na sua avó.
— Só tem um problema. — Demi se inclinou para perto de vovó e sussurrou: — Você não é minha avó.
O sorriso no rosto de vovó se alargou só um pouquinho, antes de voltar ao normal.
— Ora, mas é claro que sou! Você se lembra de quando eu lhe disse que iria estragar a vida de Joe?
Demi não estava muito a fim de falar sobre Joe. Ela assentiu, mas tentou fingir que não estava interessada.
— A vida de meu neto já estava estragada. — Vovó deu tapinhas na mão de Demi. — Foi estragada na hora em que ele a viu naquele vestido de casamento. Eu comprei o vestido, sabia?
— O quê? — exclamou Demi, e sua voz saiu aguda, chamando a atenção dos convidados ao redor da mesa, que aguardavam o primeiro prato. Ela tossiu e se escondeu por trás dos cabelos escuros. — Diga que isso é brincadeira, vovó!
— Ops. — Vovó deu de ombros. — Achei que tivesse gostado. Ficou lindo em você. Maravilhoso. — Ela se serviu de uma taça de vinho e fechou os olhos enquanto tomava um longo gole, então botou a taça de volta na mesa. — Além disso, pode ser que você precise de um, qualquer dia desses.
— Sei. — Demi lutou para esconder as lágrimas. — Acho que tudo é possível.
— Ah, mas é mesmo! — respondeu vovó. — Sabia que eu sempre quis ser uma fada madrinha?
— Oi?
— A maioria das garotas quer ser a princesa da história. Eu quero ser a fada madrinha.
Será que vovó estava bêbada? Tão cedo?
— Está certo. — Demi a olhou de soslaio. — Bem, você só precisa de uma varinha e de um pouco de mágica... aí, tudo é possível.
— Já tenho uma varinha, e todas as avós são mágicas. — Ela deu de ombros. — Fale mais sobre Jace.
— Ele é... — Demi olhou para a mesa. Ele estava com o cabelo loiro penteado para trás, revelando olhos verdes perfeitos e um rosto escultural. — Legal.
Vovó caiu na gargalhada.
— Ah, querida! Aquele homem é muitas coisas. “Legal” não seria a palavra que eu escolheria para descrevê-lo. É muito sexy, isso sim. Um deus entre os mortais.
— Vovó! — resmungou Demi. — Fale baixo.
— Bem. — Vovó ergueu as mãos. — Só estou dizendo que aquele homem faria uma mulher derreter só com o olhar. — Como se tivesse ouvido, Jace olhou para vovó e deu uma piscadela. — Meu bom Deus! Acho que acabei de ter um mini-infarto.
— Sério? — Demi segurou o braço de vovó, em pânico. — Bem. — Vovó piscou de volta para Jace. — Se isso foi um infarto, quero outro.
Demi sentiu o rosto corar.
— Ele não mexe com você? — perguntou a mulher.
Demi engasgou com o vinho e começou a tossir como louca enquanto vovó dava tapas fortes em suas costas.
— Minha querida, beba mais devagar! Vai acabar manchando esse vestido amarelo lindo.
— Sim, foi culpa do vinho... — resmungou Demi. — E não do seu comentário.
— Ué! — Vovó se inclinou para mais perto e suspirou. — Como é que vocês, jovens, dizem hoje em dia? Ele deixa você com te...
— Vovó! — ralhou Demi. — Pare, pare com isso! — Ela cobriu o rosto com as mãos, envergonhada. — Ele é um cara legal, mas não... — Demi estava prestes a dizer “não é Joe”, quando o próprio chegou e se sentou do outro lado da mesa. Seus olhos a traíram e absorveram cada detalhe daquele corpo perfeito. Joe se inclinou para a frente, sobre a mesa, e seus antebraços roçaram nas flores espalhadas ao redor do prato. Ah, como ela queria ser uma daquelas flores!
— Entendi — respondeu vovó, em voz baixa. — Ele não é o meu neto.
— Quê? — Demi tirou os olhos de Joe e começou a apertar as mãos no colo.
— Jace — explicou vovó. — O cara poderia ser um ator melhor que o Marlon Brando, e ainda assim você o olharia como se ele não passasse de um figurante.
— Marlon Brando? Figurante? — Demi deu um sorriso tenso, mas não olhou para vovó.
— Perto do único que você realmente quer. — Vovó colocou uma das mãos nas de Demi, para acalmá-la. Alguns anéis de diamante brilharam em seus dedos. — O meu neto. Você está apaixonada por ele.
— Eu... — Mas ela não conseguia negar. Então, em vez disso, olhou nos olhos de vovó e pediu: — Por favor, não conte isso a ele.
Afastando-se, vovó bufou.
— Querida, se ele ainda não sabe, é um idiota. Se bem que ele é homem... — Ela olhou para o neto e jogou as mãos para cima. — Ele parece infeliz. Deve ser por causa da falta de sexo.
E lá se ia a pressão estabilizada de Demi. Vovó tinha mesmo dito “sexo” outra vez? À mesa de jantar? Desta vez, suas palavras atraíram a atenção de Nick e Selena, que a olharam como se implorassem: Por favor, chega de momentos constrangedores. O pastor Jim se engasgou com o vinho, e a mesa ficou em silêncio. Sem saber o que fazer, Demi olhou para vovó.
— Estávamos conversando sobre Petunia.
Ah, não. Petunia se enrijeceu, do outro lado da mesa, e estreitou os olhos para vovó, como se a mulher fosse cria de Satã.
— Eu não uso essas palavras vulgares.
— Não, só tricota e lê romances eróticos.
— Ei, eu nunca...
— Não adianta negar. — Vovó girou a taça de vinho. — Já vi os livros. Você não é tão puritana quanto tenta parecer, irmãzinha.
Petunia comprimiu os lábios e olhou para as outras pessoas à mesa.
— Ela obviamente está bêbada.
— Conte, o capitão Jack já voltou para casa com sua escrava? Ainda não cheguei nessa parte do livro, mas tenho que admitir que estou morrendo de curiosidade para saber se eles vão...
— Vovó — chamou Nick, em tom de aviso. Ela deu de ombros.
— Eu ia dizer “se apaixonar”.
— Até parece — murmurou Joe, do outro lado da mesa.
Petunia olhou irritada para vovó.
— Você é uma meretriz.
— Pelo menos eu não disfarço... Cadê o seu chicote, Petunia?
Demi arregalou os olhos. Wescott deu uma risadinha.
— Pessoal, vamos acalmar os ânimos. Estamos aqui para celebrar...
— Deve estar com seus sapatos de salto vermelhos, sua diaba tatuada! — gritou Petunia.
— Ah, adoro aqueles sapatos! — comentou vovó.
— Vejam, o jantar será servido! — avisou Bets, com a voz aguda. — Pessoal, é hora de comer! — Ela bateu palmas e começou a empilhar no prato a comida que o pessoal do bufê trazia.
— Ostras. — Vovó apontou para um dos baldes. — Pode comer, Nick. Vai precisar disso para amanhã à noite. O noivo soltou um palavrão e olhou para o céu. — E eu estava me controlando tão bem...
— Se isto é você se controlando, eu sou uma freira. — Vovó deu uma piscadela enquanto Nick gemia e se afastava de Selena.
— Ora, vejam! — Bets apontou para o meio da mesa. — Estamos sem vinho.
— Vou pegar umas garrafas! — gritou Nick, levantando-se e agarrando o braço de Selena. Com toda a calma, vovó enfiou a mão na bolsa e tirou uma coleira que parecia muito com o tipo usado para treinar cachorros por meio de pequenos choques.
— Sente-se, Nick. Reclamando, ele se sentou.
— Hã, eu vou. — Demi se levantou.
— Eu também — disse Jace. — Você pode acabar se perdendo naquela adega.
— Oh, meu herói — respondeu Demi, seca. Mas ele não pareceu se importar. Estava com os olhos fixos em vovó. Assentiu uma vez e olhou de volta para Demi.
— Pronta? — Ele ofereceu o braço a Demi, ignorando o olhar indagativo que ela lhe lançava. Os dois caminharam em silêncio até a casa.

*****

Oi meus amores, como vocês estão? Eu não tenho nenhuma justificativa pra não ter postado, então, se alguém ainda lê isso aqui, só posso pedir que me perdoe. Eu sempre fui contra alguém começar a postar uma fic antes de terminar, afinal, fanfic em andamento tem um futuro incerto, nunca se sabe se a autora conseguirá concluir, e fazer as pessoas gostarem de algo pra simplesmente largar pela metade soa tão injusto. Meu problema nem foi esse, até porque nem fui eu quem escrevi, como vocês sabem, é adaptação de um livro. Não tenho motivos pra não ter postado, então só posso pedir desculpas do fundo do coração. Já vou programar todos os capítulos pra serem postados diariamente. É isso, anjos. Beijos