4.1.15

Capítulo Nove




Eu fiquei irritada que ele nem ao menos comentou sobre a carta depois de alguns dias.
Miley também não me deu escolha a não ser finalmente contar a ela sobre meus sentimentos por Joe. Ela não parava de falar sobre como não entendia porque ele nunca a chamou de novo para sair depois que se beijaram no jantar. Não aguentei mais e disse a ela tudo que aconteceu entre nós. Ela ficou chocada, mas pelo menos funcionou para fazer com que parasse de falar sobre ele de uma vez por todas.
Joe continuou me ignorando durante a semana seguinte. Ele pegou mais horas extras na oficina e no resto do tempo ficava no quarto com a porta fechada. Ele obviamente sabia que eu tinha ouvido a garota no seu quarto naquele dia, porque eu deixei o livro no chão em frente à sua porta. Estava claro que ele não se importava em se desculpar ou saber como eu me sentia.
Então, quando Corey Jameson me chamou para sair naquela semana, eu disse sim. Corey era um dos caras mais doces da escola. Na verdade, eu não estava atraída por ele, mas precisava de uma distração e sabia que ao menos nos divertiríamos juntos. Era um dos poucos meninos que eu considerava amigo, apesar dele obviamente querer mais.
A sexta à noite chegou. Arrumei o cabelo e coloquei um vestido azul royal que comprei numa promoção no shopping, mas o meu entusiasmo era o mesmo que tinha quando fui assistir ao filme com Miley.
Quando Corey chegou, minha mãe abriu a porta para ele e gritou.
— Demi, seu encontro está aqui!
Uma música baixa vinha do quarto de Joe e a porta estava fechada. Uma parte de mim queria que ele me visse saindo com Corey, mas outra parte não queria lidar com ele.
Corey estava esperando no final das escadas com flores, e isso me deixou constrangida. Nunca poderia imaginar Joe esperando uma garota com margaridas. Vamos admitir, ele não precisava.
— Ei, Corey.
— Ei, Demi. Você está maravilhosa.
— Obrigada.
— Se importa se eu usar o banheiro antes de sairmos?
Hesitei em mandá-lo lá para cima no caso de Joe sair do quarto.
— Claro. É lá em cima. Vire à esquerda, no fim do corredor.
Esperei por ele num banquinho.
— Ele parece legal. — Minha mãe disse.
— Ele é. — Eu disse, colocando as flores em um vaso.
Esse era o problema. Eu me acostumei a amar a maldade misturada com a bondade.
Depois de cinco minutos, Corey tinha um olhar esquisito no rosto quando retornou.
— Está pronto? — Perguntei.
— Claro. — Ele disse sem me encarar. Andou na minha frente em direção ao Focus estacionado na garagem.
Ele ainda estava agindo estranho quando entramos e antes de ligar o carro se virou para mim.
— Me encontrei com seu meio-irmão lá em cima.
Engoli o bolo que se formou na minha garganta.
— Mesmo?
— Ele disse para te entregar isso, que você tinha deixado em seu quarto. — Ele me deu uma calcinha rosa de renda, uma das peças que Joe ainda escondia.
Peguei e encarei a rua sem acreditar, sem saber se estava com raiva ou lisonjeada.
Quando me recuperei, virei para ele.
— Ele só está tentando te provocar... E a mim. É o que ele faz. Sei que parece bobo, mas ele pegou todas as minhas calcinhas como uma brincadeira e não quer devolvê-las, só isso.
Ele suspirou, mas ainda parecia desconfortável.
— Ok. Só foi muito esquisito.
— Eu sei. Acredite. Sinto muito.
Corey estava olhando para frente, então peguei meu celular e discretamente mandei uma mensagem para Joe.

Demi: Porque você fez isso???
Joe: Não fique “de calcinhas na mão”. Foi divertido, admita.
Demi: Não foi divertido para ele.
Joe: Você nem gosta dele.
Demi: Como você sabe disso?
Joe: Porque você gosta de mim.
Demi: Você se acha.
Joe: Você quis me achar também uma vez, lembra?

Meu queixo caiu.

Demi: Porque você sempre faz isso?
Joe: Isso o quê?
Demi: Volta a ser um babaca.
Joe: O babaca de quem, hein?
Demi: Você não presta.
Joe: Eu presto… Muito. Vou te mostrar.
Demi: Por que você está fazendo isso?
Joe: Porque não consigo parar.

Eu não ia responder. Mas ele mandou outra mensagem.

Joe: Venha para casa.
Demi: O quê?
Joe: Venha para casa. Fique comigo.
Demi: Não!

Desliguei o celular e olhei para Corey que ainda estava silenciosamente olhando para frente.
Joe estava louco. Quem ele achava que era, me impedindo de namorar enquanto ele continuava a galinhar por aí?
Joe tinha estragado a noite, e enquanto conversávamos besteiras no restaurante mexicano, sabia que Corey tinha se desinteressado depois do que Joe fez. O doentio era que eu nem estava zangada. Se fosse honesta, admitiria que secretamente fiquei satisfeita por Joe se importar o suficiente para sabotar meu encontro.
Tentei focar a atenção unicamente em Corey e estava falhando enquanto comia minha sobremesa. Só conseguia pensar em Joe. Ele não apenas tinha me afetado essa noite, mas tinha bagunçado toda a minha cabeça.
Meu celular vibrou no momento que nos preparávamos para ir embora.

Joe: Eu preciso que você venha para casa.
Demi: Não.
Joe: Eu não estou brincando. Aconteceu algo.

Meu estômago esfriou.

Demi: Está tudo bem?
Joe: Ninguém está ferido ou algo assim. Precisamos conversar.
Demi: Ok.
Joe: Onde você está? Será mais rápido se eu for buscá-la?
Demi: Não, Corey me levará.
Joe: Ok. Não demore.

Meu coração estava acelerado.
O que será que aconteceu?
Inventei uma desculpa e perguntei a Corey se ele se importava em me levar para casa. Ele não ficou feliz, mas a noite inteira estava arruinada depois do que Joe fez.
Parecia que eu nunca chegaria em casa.
Corey nem esperou que eu entrasse antes de ir embora. Fui direto para cima e bati na porta de Joe antes de abri-la.
Ele estava sentado na cama me esperando com um olhar preocupado. Na verdade, nunca o vi tão chateado. Ele saiu da cama e me pegou de surpresa quando imediatamente me abraçou.
— Obrigado por voltar.
Seu coração estava acelerado enquanto me abraçava. Meu corpo pedia que ele me apertasse mais forte.
— O que houve, Joe?
Ele me soltou e me levou até a cama, onde sentamos.
— Tenho que voltar para a Califórnia.
Parecia que toda a comida que tinha acabado de comer queria voltar.
— O quê? — pus a mão em seu joelho porque parecia que estava perdendo o equilíbrio. — Por quê?
— Minha mãe voltou.
— Não entendo. Ela deveria ficar na Inglaterra até o verão.
Ele olhou para o chão e hesitou antes de me olhar com olhos melancólicos.
— O que vou te contar não pode sair desse quarto. Você não pode contar para sua mãe e muito menos a Eddie. Prometa-me.
— Eu prometo.
— Minha mãe não estava na Inglaterra. Pouco depois de vir para cá, ela se internou numa clínica de reabilitação no Arizona. Deveria ser um programa de seis meses, e ela ficaria com uma amiga pelo tempo restante até o fim do ano escolar.
— Porque você não disse a verdade a Eddie?
— Minha mãe é uma pintora talentosa. Sabe disso. De qualquer forma, ela recebeu a oportunidade de ensinar em Londres por um ano e usou isso como desculpa para Eddie. Ela tem vergonha de dizer o quão ruim as coisas estavam. Antes de decidir se internar, ela teve uma overdose com pílulas para dormir, e a achei no chão. Achei que ela estava morta.
— Era esse o pesadelo que você estava tendo.
— O quê?
— A noite em que você estava gritando enquanto dormia, você dizia ‘mamãe, acorde’.
— É. Isso faz sentido. Na verdade sonho muito com isso. Minha mãe é fraca. Desde que Eddie a deixou, nunca mais foi a mesma. Tive medo de perdê-la. Ela é tudo que eu tenho.
Eu apertei seu joelho.
— Acha mesmo que nossos pais tiveram um caso e seu pai deixou sua mãe pela minha?
— Sei que ele traiu minha mãe, porque hackeei seu computador.
Ele conheceu sua mãe online enquanto ainda era casado com a minha.
Ele dizia que viajava a negócios, mas na verdade ia a Boston visitar Dianna. Eu não mentiria sobre isso.
— Eu acredito em você.
— Eu não sei que história ele contou a Dianna. Talvez tenha dito que já era separado. Sabe quando você disse que seu pai foi o amor da vida de sua mãe?
— Sim...
— Bem, foi isso que Eddie foi para minha mãe, apesar de não ter sido recíproco. Ele era um pai horrível, mas ela não se importava com isso. Ela era obcecada por ele e sempre colocou a vida dela nas mãos dele. Ela é obcecada com Dianna agora também. É uma doença. Existe tanta coisa nessa história, mas só vou lhe dizer o que diz respeito a nós dois.
— Quando disse que eu era proibida... É só porque sou filha de Dianna?
Ele sorriu e acariciou minha bochecha.
— Você é a cara da sua mãe. Minha mãe acha que o casamento dela terminou por causa de Dianna. Ela odeia sua mãe mais que qualquer outra pessoa. No fundo, sei que ele se separaria de minha mãe de qualquer forma, mas ela está mal. Nunca aceitaria se soubesse que eu tenho algo com a filha de Dianna.
— Por que ela voltou mais cedo?
— Ela acha que está melhor. Ela não está, Demi. Pude sentir em sua voz, mas a deixaram sair de qualquer forma. A amiga que deveria ficar com ela desistiu e nem está na cidade. Tenho medo de deixá-la sozinha. Por isso estou indo amanhã pela manhã. Já reservei o vôo. Eddie acha que o trabalho não deu certo e não se importa se estou voltando.
Uma lágrima escorreu pela minha bochecha.
— Eu não esperava isso. — Me recostei em seu peito e ele me envolveu com o braço. Ficamos em silêncio até que o encarei. — Não estou preparada para vê-lo ir.
— Engoli o meu orgulho e vim morar com Eddie para que minha mãe pudesse melhorar e não precisasse se preocupar comigo, foi uma das coisas mais difíceis que já fiz. Foi um inferno no começo, mas você foi um pedaço de paraíso no meio disso tudo. Não imaginava que iria de não querer vir a não querer ir embora, mas é como eu me sinto. Eu quero ficar aqui por sua causa. Eu quero protegê-la e não como irmão, e isso é uma merda.
Peguei sua mão.
— Eu entendo.
Ele enlaçou os dedos com nos meus e se aproximou, pressionando os lábios na minha testa.
— Sinto que você me vê de forma que a maioria não consegue. Fazê-la me odiar não funcionou porque você sabia que era uma atuação. Obrigado por ser esperta o suficiente para ver além disso.
Não pude evitar. O envolvi com meus braços enquanto inspirava o cheiro de sua pele e seu perfume, querendo gravá-los na memória.
Ele vai embora amanhã.
Talvez nunca mais o veja.
Sua respiração acelerou e ele me soltou.
Olhei para suas malas e percebi que ainda tinha muita coisa para guardar.
— Quer que eu te ajude?
— Por favor, não entenda errado.
Mordi o lábio inferior.
— Ok.
— Preciso que você volte para o seu quarto. Não porque não queira ficar com você. Mas porque não confio em mim mesmo.
— Eu quero ficar aqui.
— Eu não posso ficar no mesmo quarto que você do jeito que eu me sinto agora. Eu fiquei chateado quando você saiu para o encontro com aquele cara. E isso foi antes de descobrir que estava indo embora.
Então você entra aqui tão linda nesse vestido. Eu já não tenho mais muito controle.
— Não me importo se acontecer algo. Eu quero que aconteça.
Ele olhou para o chão e balançou a cabeça.
— Não pode acontecer. — Joe ficou em silêncio, então me olhou.
— No outro dia, você sabe que tinha uma garota aqui. Nada aconteceu.
Ela tentou, mas eu não consegui sentir tesão. Não parecia certo, e isso vem acontecendo já há um tempo, desde aquela noite no seu quarto.
Você acha que eu não fantasiei em fazer o que você me pediu, sabendo que seria o seu primeiro? Você sabe o que fez comigo ouvi-la dizer “me mostre como você fode?”. Isso me arruinou.
— Eu prefiro ter uma noite com você a não ter nada.
— Você não quer dizer isso. Se eu achasse que você está falando sério, não estaríamos conversando agora. — Ele colocou ambas as mãos nos meus ombros, me arrepiando. — E só para constar, eu gosto que você não esteja falando sério. — Ele deixou sair um suspiro que senti no meu peito. — Mesmo que você diga que pode lidar com isso... Eu não tenho tanta certeza.
Ficamos em silêncio por alguns segundos nos encarando antes que eu levantasse.
— Ok. Eu vou embora. — Meus olhos se encheram de lágrimas porque parecia uma despedida.
Ele podia ver que eu estava começando a chorar.
— Por favor, não chore.
— Desculpa. Eu não posso evitar. Vou sentir sua falta.
Ele me abraçou uma última vez e enterrou o nariz no meu cabelo.
Falou no meu ouvido.
— Também sentirei a sua. — Nossos corações estavam acelerados antes que ele se afastasse. — Meu vôo só sai às 10. Talvez possamos tomar café da manhã.
Andei de volta para meu quarto sem acreditar em quão rápido as coisas tinham mudado. Mal sabia eu que as coisas com Joe mudariam de novo num piscar de olhos, ou melhor, no meio da noite.

*****

O que acharam? O próximo capítulo já é o hot ashaius \O/
Quando tiver bastante comentários, eu já posto, se não, só amanhã nesse mesmo horário.
Não respondi os comentários porque ainda não tive tempo, mas amanhã juro que respondo.
Amo vocês, se cuidem

3.1.15

Capítulo Oito




Quase um mês tinha se passado desde o encontro no meu quarto.
Joe tinha deixado meu quarto naquela noite pouco depois de repetir que eu estava fora de limites e que nada nunca aconteceria entre nós. Não fazia sentido pra mim que ele estivesse tão decidido quanto a isso, considerando que não éramos parentes. Então eu achava que tinha mais coisas que eu não sabia.
A pior parte sobre o que aconteceu no meu quarto foi que Joe começou a se distanciar. Não havia mais mensagens rudes, nem convites para jogar videogame. Quando estávamos ao mesmo tempo em casa, ele ficava no quarto dele, e eu no meu. Ele também passava mais tempo na oficina ou fora de casa.
Nunca achei que sentiria falta de seus insultos ou sua conversa rude, mas daria qualquer coisa para voltar ao jeito que estávamos antes de beijá-lo e dizer que queria foder com ele.
Ai.
Eu me encolhia sempre que pensava nisso. Mas naquele momento eu estava tão intoxicada por ele e queria saber como seria sentir aquilo mais do que qualquer pessoa. Eu estava pronta.
Ele e eu tínhamos feito 18 anos nas semanas seguintes àquela noite. Nossos aniversários eram distantes apenas cinco dias. Então eu definitivamente me sentia velha o suficiente para dar aquele passo. Não era como se eu estivesse me mantendo virgem até casar. Eu era virgem apenas porque nunca senti vontade de fazer isso com ninguém… Até
Joe. Ele passou as últimas semanas deixando claro que isso nunca iria acontecer.
Mas eu sentia sua falta.
Então, uma noite após o jantar, as coisas mudaram, e tive um pouco dele de volta. Normalmente, Joe nunca comia em casa, mas nessa quarta em particular, por alguma razão, ele decidiu se juntar a nós. Desde a noite em que vi o quão mal Eddie o tratava, tinha evitado meu padrasto, exceto no jantar. Minha mãe e eu não estávamos exatamente nos dando bem porque ela continuava insistindo que não podia se envolver no relacionamento de Joe e Eddie.
Joe não estava me olhando na mesa. Apenas olhava para baixo remexendo na massa com o garfo. Em um momento, eu olhei pela janela para as roupas do vizinho estendidas e secando ao vento. Pude sentir seus olhos em mim. Parecia que ele estava esperando que eu me distraísse para que ele pudesse me olhar quando achasse que eu não notaria. Quando me virei para ele, abaixou a cabeça de novo e voltou a brincar com a comida.
Eddie estava com um humor raro aquela noite, reclamando que o jantar simples não o agradava. Abruptamente se levantou e foi até a despensa.
— Demi, porque merda você está enfiando todas essas calcinhas dentro de uma lata de Pringles? — Ele gritou.
Minha boca se abriu, e olhei para Joe. Nós nos olhamos por alguns segundos antes de Joe bufar e perder a compostura. Rimos juntos. Não podíamos parar.
Eu amava o som de sua risada.
Olhar para o rosto confuso de Eddie me fez rir ainda mais.
Quando paramos de rir, Joe ainda sorria para mim e disse baixinho, para que só nós ouvíssemos.
— Falei que não estavam em meu quarto.
Eddie bateu a lata na mesa na minha frente. Eu abri e chequei o conteúdo.
— Não estão todas aqui.
Joe piscou.
— Fiquei com algumas. — Ele disse sedutoramente.
Revirei os olhos e atirei uma em seu rosto. Ele prontamente colocou-a na cabeça como uma touca. Só meu meio-irmão poderia ficar gostoso com um par de calcinhas na cabeça. Ele continuou olhando para mim com aquele sorriso que eu adorava. Foi bom ter sua atenção de novo, mesmo que brevemente.
Naquela noite, estava vestindo meus pijamas quando meu telefone vibrou.

Joe: Pode vir aqui um pouco?

Meu coração acelerou enquanto andava pelo corredor. Quando ele abriu a porta, parecia incrivelmente sexy.
Seu hálito cheirava a pasta de dentes de hortelã.
— Hey. — Ele disse, sorrindo, o que foi um contraste perfeito entre os dentes brancos e sua pele bronzeada e seu cabelo negro.
— Oi. — Entrei e respirei fundo, notando que o cheiro de cigarro tinha quase sumido.
Ele estava usando um casaco preto com as mangas levantadas.
Estava aberto no seu peito, e seu cabelo ainda estava molhado do banho. Encarei os seus lábios onde o corte já tinha curado. O metal de seu anel labial brilhava, e nunca quis nada mais que lambê-lo, sentir sua boca e língua contra a minha de novo.
Me beijando.
Me lambendo.
Me mordendo.
Mudando o assunto.
— Porque cheira tão bem aqui?
Ele se recostou na cama com as mãos descansando sob a cabeça.
Não pude evitar olhar o V abaixo do seu abdômen e desejei poder deitar em cima dele.
— Está dizendo que meu quarto geralmente cheira mal?
— Você parou de fumar?
— Estou tentando.
— Sério?
— Sim... Essa garota esquisita uma vez me disse que fazia mal. Então... Pensei sobre isso e finalmente segui o conselho.
— Estou orgulhosa.
Ele se levantou e me olhou.
— Bem, a verdade é que você estava certa. Aquilo me mataria. Vários aspectos da minha vida podem ser ruins, mas tem algumas coisas pelas quais vale a pena viver.
Algo no ar pareceu mudar quando ele disse aquilo e um silêncio constrangedor se seguiu.
Tossi um pouco.
— O que você queria comigo?
Ele andou até o closet para pegar algo. Então, me dei conta de que era seu livro. Ele me entregou o fichário.
— Quero te dar isso. Quero que você leia.
— Sério?
— Eu não deixo ninguém ler isso, Demi. É um grande passo para mim. O que quer que aconteça, não mostre a Eddie. Não quero que ele chegue perto disso.
— Ok. Prometo. Obrigada por confiar em mim.
— Seja honesta também. Posso lidar com isso.
— Eu vou. Vou ler com cuidado.
Fui direto para meu quarto aquela noite e comecei a ler. Minutos viraram horas, falei a ele que leria com cuidado, mas a verdade era que não consegui largá-lo e acabei lendo a noite toda.
Ainda que a história fosse contada na terceira pessoa, e o menino se chamasse Liam e ser apenas levemente baseado em Joe, parecia que estava vendo sua mente e alma através de Liam.
Havia muitas similaridades que eu sabia que eram derivadas da sua vida, particularmente o fato do pai de Liam ser verbalmente abusivo. O começo da história antes de Lucky entrar em cena era meio triste. Ao mesmo tempo, me fazia chorar e rir. Haviam muitas partes engraçadas separadas da história principal.
Numa cena, Liam estava apaixonado por uma garota do outro lado da rua, então pediu a Lucky para ir até sua casa. Sua esperança era que a garota pensasse que Lucky estava perdido e que o cão a levaria até a casa de Liam. Ao invés, Lucky, que era um cão grande, acabou cruzando com o filhote da garota. Liam assistiu pela janela enquanto ela pegava o filhote, entrava em casa e batia a porta. Lucky ainda fez cocô em seu quintal antes de voltar correndo para casa.
Mas a história principal girava sobre a habilidade de Liam de sentir o mal através de seu ouvido hipersensitivo. A informação que recebia nem sempre era clara, a não ser que Lucky estivesse presente.
Em um momento, Liam pegou a informação sobre o assassinato de uma garota. No fim um policial corrupto estava por trás do crime. Ele sequestrou Lucky para que Liam não pudesse ajudar as autoridades a resolver o caso. Lucky acabou escapando, e a cena da reunião entre
Liam e o cão foi tão tocante que me fez soluçar.
Tudo era tão realista, desde as descrições vívidas do cenário da Irlanda até as emoções que Liam vivenciava. Até tinha um capítulo bônus divertido escrito pelo ponto de vista do cão no final. Achei apenas alguns erros gramaticais e coloquei num papel para ele.
No fim da história, me senti apaixonada pelos personagens, o que era uma afirmação de sua escrita. Ao mesmo tempo, me senti mais próxima dele e me senti tão honrada por ele ter me dado um brilho de sua mente criativa. Precisava achar as palavras certas para explicar a ele o quão maravilhoso era… Como ele era maravilhoso.
Então, no dia seguinte, decidi que sentaria na sombra de uma árvore depois da escola e escreveria todos os meus sentimentos em uma carta que entregaria a ele quando devolvesse o manuscrito. Coloquei meu coração na carta e expliquei porque sentia que ele nasceu para escrever e não importava se seu pai não estivesse orgulhoso dele, eu estava incrivelmente orgulhosa.
Naquela tarde, planejei deixar a carta em seu quarto. Quando cheguei ao topo das escadas, meu estômago revirou quando ouvi uma voz feminina atrás da porta fechada.
Rindo.
Bocas se beijando.
Joe não trouxe ninguém para casa desde a noite que nos beijamos. Achei que talvez ele estivesse respeitando meus sentimentos ou que ele tinha mudado.
Eu estava errada.
Saber que ele estava com outra garota costumava me irritar e me deixar com ciúmes, mas dessa vez foi diferente. Só me deixou incrivelmente triste. Nem pude suportar ficar em casa, então deixei o livro junto com a carta em frente a sua porta e corri escada abaixo, preocupada que talvez não estivesse apaixonada apenas por sua escrita.

*****

Opa, acho que dei uma confundida aksnaiosn não era esse o capítulo lacrador, but, esperem, porque ele virá.
Consegui postar hoje sem atraso! \O/ - ouço uns gritos de aleluia? -
To em Curitiba, amanhã vou passear na cidade  
Respostas aqui e aqui.
Acompanhem o blog Black Beauty.
Amo vocês.
Beijos

2.1.15

Capítulo Sete




Joe se contorcia enquanto gritava.
— Mamãe, por favor. Não! Acorde! Acorde! — Sua respiração estava irregular, a roupa de cama tinha caído no chão. — Por favorrrrrrr. — Ele gritava.
Meu coração estava acelerado enquanto o balançava.
— Joe! Joe. É só um pesadelo.
Ainda meio adormecido, ele pegou e apertou minha mão tão forte que doeu. Quando abriu os olhos, ele ainda parecia confuso. Suor brilhava nas suas têmporas. Ele se sentou e me olhou em choque como se não soubesse onde estava.
— Sou eu, Demi. Você estava tendo um pesadelo. O ouvi gritar e achei que tinha algo errado. Está tudo bem. Você está bem.
Sua respiração ainda estava forte. Ele afrouxou o apertão em meu braço, recuperando a razão. Então ele me soltou.
— É a segunda vez que pego você em meu quarto quando estou semiconsciente. Como sei que você não está fazendo coisas comigo enquanto estou dormindo?
Você tá me zoando?
Já aguentei o bastante dessa merda.
Talvez seja o fato de estar esgotada por não estar dormindo ou talvez porque apenas atingi meu limite com todos os seus golpes, mas ao invés de responder, eu o bati com toda minha força. Talvez tenha sido algo infantil, mas estava morrendo de vontade de fazer, e essa pareceu a gota d’água.
Ele riu, o que me irritou ainda mais.
— Bem, já era hora.
— Como é que é?
— Eu estava querendo que você perdesse a cabeça.
— Você acha que é engraçado me fazer perder a cabeça assim?
— Não, acho que você é engraçada... Tipo, muito engraçada. Nada me diverte mais do que te tirar do sério.
— Bem, ótimo. Estou feliz que você ache isso.
Porra. As lágrimas estavam se acumulando em meus olhos.
Isso não podia estar acontecendo.
Era quase aquela época do mês, e eu não podia fazer nada para controlar essas emoções. Tentei cobrir o rosto, mas sabia que ele tinha visto a primeira lágrima cair.
O sorriso de Joe sumiu.
— Que porra?
Eu precisava sair dali. Não tinha como explicar minha reação para ele se nem eu entendia.
Eu me virei e saí, batendo a porta do quarto atrás de mim. Subi na cama, puxei meu cobertor sobre a cabeça e fechei os olhos mesmo que fosse impossível dormir.
Minha porta se abriu e a lâmpada foi acesa.
— Oferta de paz? — Ouvi Joe dizer.
Quando me virei, para minha mortificação, ele estava ali com um pau na mão. Não qualquer pau. Meu pau. Meu vibrador. Meu vibrador de borracha lilás de tamanho real.
Joe balançou.
— Nada diz sinto muito como um pau e um sorriso.
Virei de volta e me escondi sob o cobertor novamente.
— Vamos. Você está chorando de verdade?
O quarto estava em silêncio enquanto eu permanecia debaixo das cobertas. Assumi que ele iria embora, então o ignorei. Sabia que estava errada quando ouvi um clique e um som de vibração e senti o peso dele na cama.
— Se você não sorrir, então terei que fazer cócegas em você com seu amiguinho. — Ele tocou o vibrador no meu quadril, e me encolhi, tirando o cobertor de cima de mim. Tentei pegar o vibrador, mas ele não queria soltar. Continuou a me provocar com aquilo com movimentos rápidos; atrás da minha perna, nas costas do pé.
Estava lutando para não rir.
— Pare.
— Sem chances.
Todo o controle foi perdido quando ele colocou aquilo embaixo do meu braço, o que me fez rir histericamente. Sua risada vibrou contra meu ouvido.
Como acabei rolando na cama no meio da noite com Joe me provocando com um pênis de borracha?
Estava rindo tanto que achei que fosse morrer.
Morte pelo vibrador.
Ele finalmente desligou, e me levou vários minutos para recuperar o fôlego e me acalmar.
— Porque parar agora?
— O objetivo era te fazer rir. Missão completa. — Ele me deu o vibrador. — Tome.
— Obrigada.
Levantou uma sobrancelha.
— Festa em suas calças amanhã à noite? Devo trazer salgadinhos?
— Muito engraçado. — Eu disse, colocando-o na mesinha de cabeceira e fazendo uma nota mental de achar um lugar melhor para esconder.
Ele ficou deitado do meu lado com a cabeça encostada na cabeceira. Mesmo que não estivéssemos nos tocando, podia sentir o calor de seu corpo enquanto ficávamos ali em silêncio.
Enquanto meus olhos vagavam pelo seu peito bronzeado e seu abdômen definido, desejo foi se acumulando dentro de mim. Sua cueca estava aparecendo no topo de suas calças cinza. Seus pés estavam descalços, e me dei conta pela primeira vez de como eles eram sexy.
Forcei meus olhos em outra direção e olhei para o teto.
Sua voz era baixa.
— Eu realmente não queria vir para cá, Demi.
Era a primeira vez que dizia meu nome.
Soou tão bem saindo de sua boca. Eu me virei enquanto ele continuava.
— Estive muito perto de esquecer aquele vôo e ir para outro lugar.
— O que te fez mudar de idéia?
— Não podia fazer isso com minha mãe. Não queria que ela se preocupasse comigo enquanto estava distante.
— Entendo porque não queira estar aqui agora. Não entendi no começo, mas depois de ouvir como Eddie falou com você, posso entender porque você tem tanta raiva dele. O que eu não entendo é porque você descontou em Zac na outra noite.
— Por que acha que aquela briga foi minha culpa?
— Porque você não me explicou e você era quem estava batendo enquanto ele estava no chão.
Ele riu nervosamente.
— Eu também pareço um cara mal, certo? Então cada pessoa naquele restaurante assumiu que eu explodi sem outra razão além de bater num carinha bonito por diversão. Talvez eu tenha uma ficha... Por beber quando menor e fumar maconha uma vez. Mas nunca na minha vida ataquei alguém ou comecei uma briga antes daquela noite.
Nossa.
— Porque não me conta o que houve?
— Porque apesar do que você pensa e do fato que eu adoro te perturbar... Não quero te ferir.
— Eu não entendo.
Ele finalmente se virou para mim e me olhou.
— Aquele primeiro dia quando você me pegou no banheiro, eu quis chocá-la. Você disse que nunca tinha visto um cara nu. Achei que estava brincando. Agora, na verdade, me sinto culpado por ter feito aquilo.
Eu me reposicionei, me sentindo um pouco nervosa sobre onde isso estava indo.
— Ok... O que isso tem a ver com o que estávamos conversando?
— O idiota não sabia que eu era seu irmão adotivo, então quando você deixou a mesa, ele começou a falar sobre como iria levá-la para festa na próxima semana, te embebedar e foder com você. Seu ex-namorado fez uma aposta com ele, que ele não conseguiria nada por você ser virgem. Se você cedesse a Zac, seu ex lhe daria 500 dólares.
Cobri a boca.
— Oh, meu Deus.
Joe assentiu devagar com um olhar de simpatia.
— Então sim... Eu bati nele.
— Você deixou todo mundo pensar que a culpa era sua. Você ouviu tudo aquilo de Eddie! E você estava apenas me protegendo?
— Não sabia como te contar o que ele planejava. Mas claramente, hoje à noite, meu aviso para ficar longe dele não estava te convencendo, então eu precisava contar para você.
— Obrigada.
— Gosto de abusar de você. Começou como um jeito de irritar meu pai... Torturar a filha de Dianna. Mas eventualmente, fazer isso se transformou nesse jogo divertido. Hoje à noite, quando você chorou, sabia que tinha ido longe demais e que para você não era um jogo. Por mais que seja difícil acreditar, nunca quis te ferir, e com certeza não ficaria parado e deixaria ninguém te ferir.
Ele olhou para o teto, e seus lábios franziram enquanto pensava no que disse.
Levantei meu dedo indicador e passei suavemente no lugar onde seus lábios estavam machucados da briga. Ele fechou os olhos, e meu coração se acelerou furiosamente enquanto sua respiração acelerava a cada passada do meu dedo em seus lábios quentes.
— Sinto que tenha se machucado.
— Valeu a pena. — Ele disse sem hesitar.
Parei de tocá-lo, e ele me olhou. O olhar sarcástico que costumava me dar foi substituído por um de sinceridade.
Como tinha sua atenção, usei a oportunidade para mudar de assunto.
— Você quer ser um escritor?
Ele voltou a olhar o teto.
— Eu sou um escritor. Escrevo desde que era pequeno.
— De que fala Lucky and the Lad15? Por que teve vergonha de me mostrar?
Parecendo desconfortável, ele se mexeu.
— Só não estava pronto para falar sobre isso. — Ele sorriu e hesitantemente disse. — Lucky na verdade era meu cachorro.
Não pude evitar sorrir.
— Escreveu uma história sobre ele?
— De certa forma. É como uma versão sobrenatural da minha vida com ele. Felizmente ele não era só meu melhor amigo, mas a única coisa que conseguia me acalmar quando eu era novo. Sofria de TDAH16 naquela época e fui medicado durante um tempo. Quando minha mãe trouxe Lucky para casa, meu comportamento melhorou drasticamente. Então, apesar da história ser baseada levemente em Lucky e eu, na verdade é sobre um garoto que tinha superpoderes que o usa para resolver crimes, mas só consegue controlar o barulho em sua cabeça quando seu cão estava com ele. O cão é sequestrado como chantagem em certo ponto, e o resto da história se torna sobre resgatar Lucky. Ela se passa na Irlanda.
— Nossa. Por que a Irlanda?
— Sempre tive essa estranha obsessão com tudo que fosse irlandês. — Ele apontou para os dois trevos no seu abdômen. — Como deu pra notar. Acho que é meu jeito de tentar me conectar com esse meu lado, o lado de Eddie, desde que não tenho conexão real com ele. Parece meio distorcido, mas é a única explicação que tenho.
— O que aconteceu com Lucky?
— Lucky morreu logo após Eddie deixar minha mãe. Então, foi muita coisa acontecendo de uma vez.
Coloquei a mão em seu braço.
— Sinto muito, Joe.
— Tudo bem.
Olhando para minha mão descansando em cima de sua tatuagem, pensei sobre minha próxima pergunta.
— Porque ele te trata dessa forma?
Ele me olhou.
— Obrigada por me defender ontem à noite. Eu não estava tão bêbado. Ouvi tudo que disse, e nunca esquecerei. — Ele fechou os olhos. — Mas não quero falar sobre ele, Demi. É uma história longa e muito complicada para contar às duas e meia da manhã.
Não iria tentar minha sorte. Foi a primeira vez que ele se abriu tanto.
— Ok. Não precisamos falar sobre isso. — Depois de um longo momento de silêncio, perguntei. — Posso ler seu livro?
Ele riu e sacudiu a cabeça.
— Nossa, mas você está cheia de perguntas essa noite.
— Acho que estou feliz de estar finalmente conhecendo meu meio-irmão.
Ele assentiu.
— Não sei se quero que você leia o livro. Ninguém nunca leu. Fico dizendo que vou achar uma forma de publicá-lo, mas nunca faço. Não é perfeito, mas é a minha melhor história. Tenho certeza que está cheia de erros que não achei.
— Eu amaria lê-lo. E se ver algum erro, lhe avisarei. Inglês é a minha praia.
Ele sorriu e revirou os olhos.
— Pensarei sobre isso.
— Ok. É justo.
Quando ele se virou de novo, o cinza de seus olhos se acendeu.
Ele ficou confortável e relaxou no travesseiro.
— Me fale sobre seu pai.
Ele me olhava tão atentamente, e me tocou que ele quisesse saber sobre ele.
Suspirei e desviei o olhar.
— Seu nome era Patrick. Era um bom homem, um bombeiro de
Boston, na verdade. Minha mãe tinha 17 quando o conheceu, mas ele era mais velho, 20 e alguma coisa, então era um tabu. Ele foi o amor de sua vida. Vivemos uma vida simples, mas boa. Eu era sua princesinha.
Um dia, começou a reclamar de uma tosse e, em um mês, foi diagnosticado com um câncer avançado no pulmão. Ele morreu seis meses depois.
Ele colocou a palma da mão na minha, que ainda segurava seu braço. Então, correu os dedos pelos meus. Seu toque foi eletrizante.
Nunca imaginei que apenas segurar a mão de alguém me faria sentir tantas coisas.
— Sinto que você teve que passar por isso. — Ele disse.
— Eu também. Ele me deixou algumas cartas, uma para cada ano até fazer 30. Então, no meu aniversário, as leio.
— Ele ficaria orgulhoso de você. Você é uma boa pessoa. Não sabia o que tinha feito para merecer ver esse lado de Joe, mas eu amei. Ao mesmo tempo, esperava que terminasse a qualquer momento.
— Obrigada. — Olhei em seus olhos e me afastei abruptamente.
Ele tirou a mão da minha e a senti no meu queixo enquanto ele me virava para encará-lo.
— Não faça isso.
— O quê?
— Afastar o olhar. Foi minha culpa. Eu te fiz achar que não queria que olhasse para mim, aquela merda toda. Apesar de qualquer coisa que tenha te dito, essa foi a maior mentira, e é a que mais me arrependo. Eu comecei a baixar minha guarda, e isso me enlouquece.
Nunca tive problemas com a forma como você me olha. Meu problema é como me faz sentir: coisas que eu não deveria sentir, coisas que não deveria permitir sentir por você. Ao mesmo tempo... Nada é pior do que quando você deixa de me olhar, Demi.
Ele sentia algo por mim?
— O que parece que eu penso quando olho para você? — perguntei.
— Acho que você gosta de mim mesmo que você ache que não deveria. — Sorrio concordando enquanto ele continuava. — Você está constantemente tentando me entender.
— Você não facilita, Joe.
— Algumas vezes, você também me olha como se quisesse que a beijasse de novo, mas não sabe o que faria se eu fizesse isso. Aquele beijo... Foi o motivo pelo qual saí tão rápido daquela cafeteria. Começou como uma brincadeira, mas para mim foi muito real.
Meu coração acelerou ao saber que ele tinha sentido o mesmo.
— Você se sente atraído por mim? — Imediatamente me senti estúpida por falar isso. — Quer dizer... Não pareço com as garotas que você sai. Não tenho seios grandes e não tinjo o cabelo. Sou o oposto daquelas que você traz aqui.
Ele riu.
— Com certeza. — Ele se aproximou. — O que a faz pensar que prefiro a elas só porque as trago para casa? Aquelas garotas, elas são... Fáceis... Por falta de palavra melhor, mas não me dizem nada, realmente. Elas não tentam me conhecer. Só querem foder. — Ele levantou as sobrancelhas. — Porque eu realmente sou bom nisso.
Ri nervosamente.
— Eu imagino.
A tensão no ar ficou maior a cada segundo. Nada me deixou com mais tesão do que sua confiança sexual nesse momento.
Estava intrigada… E curiosa.
Seus olhos passearam pelo meu corpo, da cabeça aos pés.
— E, respondendo sua pergunta, eu prefiro seu corpo ao delas.
Cheia de tesão, enterrei os dedos no travesseiro.
— Por quê? — A pergunta saiu mais como um suspiro que como uma palavra.
Sua voz se abaixou.
— Você quer detalhes? — Ele sorriu. Aproximou-se como se fosse contar um segredo. — Ok... Você é pequena, torneada, flexível e seus seios... São naturais e do tamanho perfeito. — Ele olhou para os meus peitos. — Posso ver que você tem mamilos lindos porque eles estão aparecendo agora. E não é a primeira vez que isso acontece.
Coloquei minhas mãos embaixo da minha bochecha que estava contra o travesseiro e relaxei como se ele estivesse contando uma história erótica. Ele abaixou ainda mais a voz.
— Eu adoraria chupá-los, Demi.
Incrivelmente excitada pelas palavras que ele dizia, me senti molhada e trêmula entre as pernas. Querendo que ele continuasse, eu suspirei.
— O que mais?
— Você tem uma bunda incrível também. Aquela noite que fomos ao cinema, você estava usando aquele vestidinho vermelho. Toda vez que aquele idiota colocava a mão na sua bunda enquanto andávamos, me deixava maluco. Eu queria ser a pessoa te tocando.
Não pude evitar. Eu me aproximei ainda mais e pus minha mão em sua barba.
— Sério?
— Você também é muito bonita.
Morrendo de vontade de beijá-lo, corri meus dedos pelo piercing em seus lábios.
— Achei que eu fosse muito simples.
Ele sacudiu a cabeça lentamente e acariciou minha bochecha, se
inclinou e suspirou.
— Não... Linda.
A vontade de beijá-lo era enlouquecedora.
— Me beije. — Suspirei.
Ele continuou a falar perto dos meus lábios, sua respiração ofegante.
— Não é que eu não queira te beijar. Eu quero tanto. Mas eu...
Não esperei que ele terminasse. Peguei o que eu queria, o que eu precisava.
Ele gemeu na minha boca quando nossos lábios se uniram.
Colocou as mãos no meu rosto. Sem o sabor quente de nosso último encontro, eu fui capaz de saboreá-lo e sabia que não tinha volta. Não sabia se eram os hormônios ou se as últimas semanas tinham sido apenas preliminares, mas me sentia descontrolada. Os barulhos que vinham do fundo de sua garganta me faziam ainda mais faminta, e os pegava com minha respiração.
Em um momento, esfreguei minha língua gentilmente sobre o corte em seus lábios enquanto ele fechava os olhos. Então, ele assumiu e começou a me beijar mais forte, de forma mais possessiva. Puxei seu corpo para perto do meu e senti sua ereção pressionada contra mim.
Não ligava para as consequências naquele momento. Só sabia que nunca queria que isso acabasse e me choquei com o que saiu da minha boca.
— Eu quero que você me mostre como você fode, Joe.
Ele se afastou, surpreso.
— O que você acabou de dizer?
Foi o momento mais humilhante da minha vida.
Seus olhos se arregalaram, como se tivesse acordado de um sonho.
— Porra. Não... Não. Você precisa entender algo, Demi. Isso nunca vai acontecer.
Ok, esse era o momento mais humilhante da minha vida.
— Porque você diria isso depois de tudo que você me contou?
Deus, eu me sentia estúpida.
Ele descansou a cabeça de novo na cabeceira, parecendo torturado.
— Era importante para mim que você soubesse o quanto te quero e o quanto te acho linda, por dentro e por fora, porque eu sinto como se tivesse acabado com sua autoestima mesmo sem ser minha intenção. Quis dizer tudo o que eu disse, mas o beijo não deveria ter acontecido. Nem eu deveria estar nessa maldita cama, mas é tão bom deitar aqui com você um pouco.
— Como eu sou diferente de todas aquelas garotas com quem você dorme?
Ele correu ambas as mãos pelos cabelos, bagunçando-os, e olhou para mim com os olhos escuros.
— Na verdade, tem uma enorme diferença. Você é a única garota no mundo todo que é proibida, e merda, isso me faz te querer mais que qualquer coisa.

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15 A tradução seria algo como “Lucky e o Garoto”.
16 Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

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Desculpem não postar, não tive tempo nesse fim de ano. E Feliz Ano Novo, novamente, atrasado, ajsbnajks
Voltando ao que interessa, esse capítulo LITERALMENTE me matou.
To apaixonada por esses dois
Comentem, amo vocês, beijos.

P.S: Não respondi os comentários porque minha prima não me dá um tempo, vou tentar responder tudo amanhã, beijos no core ♥